EDITORIAL

 

A cada dois anos deparamo-nos com um acontecimento de grande  importância em nosso país, o qual diz respeito a todos brasileiros, porém nem sempre levamos a sério e damos o valor merecido. Nas eleições escolhemos pessoas para nos representar e tomar decisões por nós.

Até pode parecer estranho um comentário sobre política num informativo pastoral, porém, se olharmos e refletirmos todos os benefícios e malefícios que a política pode causar se não for levada a sério, daí o dever de não nos omitir-mos deste assunto.

Muitos pensam que política interessa somente para quem vai concorrer a um cargo público, mas isso não é verdade, pois a política exerce influência em quase tudo na nossa vida, seja no aspecto social, econômico e mesmo religioso, podendo vir a influenciar até mesmo em outras questões.

A Igreja sempre caminhou de mãos dadas com a política, tanto influenciando como também sendo influenciada por ela. Diríamos que a Igreja se encontra num campo neutro, mas com olhos bem abertos para poder auxiliar e orientar o seu povo. Não atua diretamente na política mas ajuda a formar bons cidadãos, e consequentemente bons políticos, para desta forma também poder proclamar a Boa Nova de Jesus Cristo, e construir um país mais solidário, onde não seja levado em consideração somente os benefícios próprios, senão os interesses comuns a todos, e principalmente pelos mais desfavorecidos.

 

 

 

Bíblia

Para cada mês do ano, a Igreja dedica atenção especial a determinado assunto referente à nossa vida cristã. Como sabemos, o mês de setembro é o mês da Bíblia. E não é difícil perceber, pois as nossas igrejas, nesse tempo, voltam atenção especial à Bíblia. Poderíamos nos perguntar? Por que um mês dedicado à Bíblia? A essa pergunta não é difícil responder, pois a Bíblia não é apenas um livro de literatura ou história de um povo. A Bíblia é o livro no qual Deus fala à humanidade, não se trata de palavra vazia ou sem importância para nós, mas da manifestação de Deus em a nossa vida, são sinais de Deus para nós. Como nos diz o evangelista São João, ’’estes sinais foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, Filho de Deus, e para que crendo, tenhais a vida em seu nome’’ (Jo 20, 30-31).

Sabemos que este Livro foi escrito por mãos humanas, porém por inspiração divina, nascida da experiência de fé de um povo. Os escritores sagrados apenas descrevem essa experiência de Deus, tornando-a Palavra Viva, dirigida por Deus a todos os povos e em todos os tempos. Nós que cremos, sabemos que nessa Palavra que ouvimos em nossas igrejas, e lemos em nossas casas, encontramos vida e força, e alimentamos nossa esperança no Deus que fala através de Sua Palavra aos nossos corações. Quem lê a Bíblia com fé, encontra nela meios de relacionar-se com seus semelhantes e agir de maneira cristã no meio deles.

A Palavra contida na Bíblia é um convite para homens e mulheres de todos os tempos e lugares a ingressarem nessa busca de Deus, no seguimento de Jesus. É claro que, muitas vezes, a Palavra nela contidas parece não condizer com nossa vida ou realidade, é por isso que se faz necessária a interpretação, a exegese para melhor compreensão daquilo que Ela quer dizer à nossa situação atual. E não é difícil entender a Palavra contida na Bíblia, pois é Palavra de amor, conforto, esperança, perdão, de como crer, sem termos visto ou ouvido. Com a força do Espírito de Deus e com a nossa fé, é possível ouvir, descobrir o sentido da Palavra de Deus e praticá-la.

A Bíblia tem um belíssimo papel na vida de cada pessoa, pois nela Deus revela a sua mensagem suscitando em cada um de nós que cremos uma força que vence o medo e dá coragem; uma força que nos tira do desespero e dá esperança; uma força que nos faz enfrentar as dificuldades dando-nos vida, pois são palavras dirigidas a nós, para que entendamos melhor o sentido da vida e percebermos a presença de Deus na realidade em que vivemos.

 

Eleições Municipais

 

É no município que aparecem as necessidades concretas da população: saúde, educação, segurança, transporte, saneamento básico, moradia etc.

É onde precisamos da política e podemos agir, mudar, transformar, fazer valer nossas idéias e vontades.

Ao eleger o prefeito e os vereadores, estamos construindo e aperfeiçoando a democracia e o poder local. Eleger os melhores prefeitos e vereadores é exercer a nossa cidadania. É ajudar a transformar a realidade da cidade combatendo a miséria, gerando empregos, democratizando o acesso e o uso da terra urbana e rural, melhorando a qualidade de ensino, da saúde, do saneamento básico, da moradia, enfim, de tudo aquilo que interessa a todos para uma boa qualidade de vida.

 

O que a Igreja pensa e propõe para as eleições.

 

A Igreja nutre preferência pela democracia. João Paulo II, na Encíclica Centesimus annus  (nº 46), diz que a Igreja vê a democracia de maneira positiva “na medida em que assegura a participação dos cidadãos”.

No sistema democrático, o voto é a maneira de o cidadão e a cidadã exercer o direito e o dever cívico de escolher, com liberdade e responsabilidade, os governantes.

A Igreja não propõe aos eleitores o nome de nenhum candidato ou partido político, mas lhes apresenta, sim, princípios e critérios para que, à luz da doutrina cristã, votem em candidatos honestos, competentes, com passado de serviço à comunidade, ao Estado e ao País.

Apesar do descrédito de muitos políticos, os cristãos são convidados a participar efetivamente da vida política. Este envolvimento não deve existir só no período das eleições. É necessário acompanhar, fiscalizar e apoiar toda gestão política que promove a vida do povo. Negar-se a fazer política é negar o exercício da cidadania e a busca de nova sociedade.

 

Ética na Política

 

“A falta de referências éticas leva à degradação, manifestada pela avidez desenfreada da riqueza, do poder e do prazer, onde só contam as vantagens pessoais, o lucro, a produtividade e as leis do mercado, que passam a ser parâmetros absolutos, não levando em conta a dignidade das pessoas e o bem do povo. A crise, nas suas raízes, é também de ordem religiosa, com enfraquecimento da fé e de vivência concreta do Evangelho, e conseqüente desagregação das famílias, em prejuízo especialmente da juventude” (CNBB – Declaração do Conselho Permanente, ago/99).

Mahatma Ghandi dizia que são suficientes poucas coisas para arruinar e destruir uma nação e, entre elas, citava a política sem princípios, o prazer sem consciência, a riqueza sem trabalho, o conhecimento sem qualidade e o convívio sem moralidade.

“É preciso expurgar as eleições de toda espécie de corrupção eleitoral, que instrumentaliza a pobreza do povo e usa o poder econômico e a máquina administrativa para assegurar a continuidade do poder político nas mãos de quem o exerce em proveito próprio, de grupos corporativos ou de organizações partidárias” (CNBB – Declaração do Conselho Permanente, ago/99).

A ética é um aspecto sempre mais presente e necessário para a vida cristã, humana, social e política. Sem ela, não será possível vivermos fraternal e solidariamente segundo a justiça social. A ética, como coerência com os valores humanos e cristãos fundamentais, deve estar muito presente nas campanhas eleitorais e nas próprias eleições. Do contrário, valerá a lei do mais forte e do mais poderoso economicamente. Valerá a falsidade, em detrimento da verdadeira política.

O papa João Paulo II adverte a todos os cristãos que “a vertente ético-social é uma dimensão imprescindível do testemunho cristão” (Novo Milênio Ineunte, 52).

 

Determinação da Justiça Eleitoral.

 

A Resolução 21.610/2004 proíbe a propaganda nas igrejas. “Os candidatos não podem fazer propaganda em bens de uso comum, como as igrejas”.

Os Salões Paroquiais quando disponíveis, o estejam para todos os candidatos, sempre com o objetivo de oportunizar debates e trazer esclarecimentos, mas não para propaganda de partidos ou candidatos.

 

Comprar e vender voto é crime!

 

O candidato e o eleitor estão sujeitos às penalidades previstas em lei. A Lei 9840, de 1999, aprovada como Lei de Iniciativa Popular. O candidato flagrado comprando voto pode ser condenado por crime de corrupção eleitoral. Conforme a Lei, compra de voto se caracteriza: “o candidato doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública” (Art. 1). Propor votar em algum candidato em troca de benefícios pessoais também é crime porque caracteriza venda de voto.

A partir daquilo que faculta a Lei 9840, incentivamos a organização de Comitês, como instância de garantir campanhas eleitorais autênticas e transparentes.

O MEP, CNL, CEPAT, CEFURIA, em parceria, lançou a Cartilha É tempo de Eleições, sua participação faz a diferença. Convidamos as paróquias para incentivar agentes pastorais para formar Comitês, divulgar e tornar conhecida a Cartilha. Elas podem ser adquiridas na Cúria.

Na hora de votar, temos de ter presente que o voto não tem preço, voto tem conseqüências! Não vote contra você!

(Dom Moacyr / Dom Wladislau…..Arquidiocese de Curitiba)

 

MUSA

Mocidade Ucraniana de Santa Amélia

Por volta do ano de 1987, alguns jovens da comunidade de São Nicolau, localizada na Vila Santa Amélia, Bairro Fazendinha, resolveram organizar-se em torno da recém criada igreja, buscando auxiliá-la no plano material, além de formar um grupo onde encontrassem alegria e boas amizades. Assim, foi instituído o MUSA – Mocidade Ucraniana de Santa Amélia, que dada a proximidade do aniversário do Milênio do Cristianismo na Ucrânia (1988), homenageou a data com brasão alusivo em sua camiseta.

Presente em todas as festas e celebrações religiosas da comunidade, o grupo MUSA sempre tentou manter as tradições ucranianas através das mais diversas atividades. Em tempos áureos, precisamente no início da década de 90, chegou a contar com mais de trinta integrantes. Nessa época era intenso o intercâmbio da comunidade com as Igrejas da Vila São Pedro, Pinheirinho, Abranches e outras. O grupo teve ainda uma participação fundamental na organização do Congresso da Juventude Ucraíno-Brasileira, realizado em fevereiro de 1995, disponibilizando mais de 15 jovens para auxílio no evento, além de ficar responsável pelo alojamento de inúmeras pessoas advindas do interior do Estado.

Destacamos ainda a participação do grupo nas haivkas, encontros da pastoral de Curitiba, encontros regionais de outras cidades, congressos, palestras e o fato de seus integrantes participarem da diretoria da AJUB, grupos folclóricos, coral da eparquia de São João Batista e coral do grupo Poltava.

Com o passar dos anos, acompanhando a tendência das demais igrejas, o grupo MUSA teve uma redução do número de seus integrantes, jamais deixando de existir graças à perseverança da juventude de Santa Amélia.

Atualmente, o grupo passa por um processo de transição onde novos integrantes advindos da catequese e grupo de adolescentes ingressam para dar seqüência ao trabalho iniciado por seus fundadores há 17 anos.

Esperamos continuar com o incentivo de outras comunidades de forma a dar seqüência à história do grupo MUSA através das futuras gerações.

Jovens de Santa Amélia

 

...e uma criança pequena os guiará!!!

 

         Fiquei muito contente quando me propuseram escrever algo sobre a passagem do dia da criança e também do professor. De antemão quero deixar claro que fugirei do estilo acadêmico de escrita e irei aderir a um estilo de escrita um pouco diferente chamado poesia em prosa. Neste escrito também não farei nenhuma homenagem. Não que ambos não mereçam, pelo contrário, deixarei as homenagens a cargo de outros veículos de comunicação Inicio expondo um pequeno texto de Alberto Caeiro, que diz ser o seu olhar igual o das crianças. “O meu olhar é nítido como um girassol e o que vejo a cada momento é aquilo que nunca antes tinha visto. Sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo.

         O olhar das crianças é surpreso! Vêem o que nunca tinham, visto! Não sabem o nome das coisas. Os mestres é que vão dando os nomes. Aprendendo os nomes, as coisas estranhas vão ficando conhecidas e amigas transformam-se num rebanho manso de ovelhas que atendem quando são chamadas. É assim que as coisas acontecem: os grandes ensinam, os pequenos aprendem . As crianças nada sabem sobre o mundo . também pudera nunca estiveram aqui. Tudo é novidade.

         Quem sabe são os mestres. Conhecem o mundo, mas não nasceram sabendo . tiveram de aprender. Porém, mais difícil foi aprender quando não havia ninguém que ensinasse. Tiveram que tocar com os olhos e com a mão para aprender. Erraram muitas vezes, mas foi assim que muitas rotas foram descobertas. Quantas pessoas tiveram que morrer de frio até que os esquimós descobrissem que era possível fabricar casas quentes em Ambientes gelados. Por detrás de cada descoberta há milhares de experimentos, acidentes felizes, fracassos.

         Ensinar é um ato de amor. Se as gerações mais velhas não transmitissem conhecimento para as mais novas nós ainda estaríamos na condição de pessoas pré-históricas. Ensinar é o processo pelo qual gerações mais velhas transmitem as gerações mais novas, como herança, a caixa onde guardam seus  mapas e suas ferramentas. Quando se admira um mestre, o coração,da ordens à inteligência para aprender as coisas que o mestre sabe.

         Está resumido na fotografia: o de mão grande conduz o de mão pequena . Esse é o sentido etimológico da palavra “pedagogo,” ou seja, aquele que conduz as crianças. O objetivo da educação é fazer com que as crianças deixem de ser crianças . Ser criança é ignorar, nada saber, estar perdido. Toda criança está perdida no mundo. A educação existe para  que chegue um momento em que ela não esteja mais perdida. A mãozinha de criança tem de se transformar em mãozona de um adulto que não precisa mais ser conduzido. Conduzindo-se saberá o caminho. Éh! A educação é um progressivo despedir-se da infância.

 

Valmir Uhren.