Editorial

 

Escrever é uma arte. Ao estarmos realizando esta arte, o nosso intuito é levar ao conhecimento das pessoas um ensinamento e uma mensagem sobre temas eclesiais e sociais. Temos em mãos artigos que despertam a nossa reflexão e clamam por atitudes de amor e esperança.

            Apresentamos inicialmente uma descrição do Sacramento da Ordem e a sua importância no seio da Igreja e da sociedade que necessita de bons orientadores espirituais para manterem viva a chama da missão de Cristo. O alimento da comunidade cristã é a Bíblia, a Palavra viva de Deus. Sendo este mês dedicado à Bíblia, também foi desenvolvido um estudo espiritual do sentido profundo da Bíblia, na sua dimensão histórica, literal e organização estrutural. Você, descendente ucraniano ou que deseja conhecer mais sobre a cultura ucraniana, tem a oportunidade de usufruir, neste número e nos números posteriores do jornal, uma contextualização histórica da emigração ucraniana.

            Em época de campanhas políticas, um texto sobre as eleições e as atitudes do cristão frente às promessas dos candidatos faz-nos refletir sobre a confiança do nosso voto consciente, pelo qual podemos decidir, com uma parcela de comprometimento, sobre o rumo que queremos para a nossa sociedade. E o melhor que podemos almejar é a luta  por uma sociedade eqüitativa.

            Através deste, o Caminho Novo interpela para que você, leitor (a), dedique um pouco de seu precioso tempo para uma leitura agradável destes escritos e assim esteja adquirindo boas informações e, ao mesmo tempo fazer um aprofundamento espiritual.

                       

                       A Coordenação

 

Sacramento da Ordem

 

 

A Ordem é o Sacramento que confere
poder a uma pessoa, para exercer pela
graça do Espírito Santo os ministérios sagrados que se referem ao culto de Deus e à salvação das almas, e imprime na alma de quem o recebe, o caráter indelével de ministro de Deus, fazendo-o digno de exercer as funções sagradas. Este caráter espiritual indelével não pode ser retirado nem conferido temporariamente. Mas, se o padre não exercer as suas funções corretamente,  pode ser exonerado das obrigações e das funções ligadas à ordenação e jamais pode voltar a ser leigo no sentido estrito. (cân. 290-293).

O Sacramento da Ordem está ordenado para contribuir no projeto de salvação do outro e de si mesmo. Aqueles que recebem o Sacramento da Ordem estão consagrados ao serviço em nome de Cristo, e assim deverão cumprir fielmente com seu estado de vida.

No Antigo Testamento existiam sacerdotes que ofereciam sacrifícios de animais ou frutos, que eram queimados ou consumidos, em sinal de louvor ou intercessão  pelo perdão dos pecados. Esses Sacerdotes eram apenas figura do único e verdadeiro Sacerdote que viria séculos mais tarde, Jesus Cristo.  Com base na doutrina católica existe apenas um único Sacerdote, Jesus Cristo, o “Sacerdote de Deus Altíssimo” (Gn 14,18), conforme anunciado no Antigo Testamento, é uma prefiguração do sacerdócio de Cristo, único “Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec” (Hb 6,20). Eis o único sacerdote que realiza o sacrifício de entrega total por nós, culminando na morte na cruz. Cristo constituiu por meio da Igreja “um reino de sacerdotes  para Deus, seu Pai” (Ap 1,6). Assim, os fiéis que seguem este caminho exercem o Seu sacerdócio batismal, ppor meio da participação segundo a sua vocação dentro da missão de Cristo.

Só Ele, sendo Deus e sendo homem, podia oferecer ao Pai eterno um sacrifício eficaz e agradável, que nos libertasse do peso dos nossos pecados, fazendo-nos filhos de Deus. Pela missão que recebe de salvar nossas almas pelo sacrifício redentor, Jesus é: Rei, Profeta e Sacerdote. E Ele transmite à sua Igreja, no sacerdócio católico, os três poderes que emanam dessas três propriedades.

Com a plenitude dos tempos, Jesus confiou aos apóstolos a missão de anunciarem a Boa Nova por todos os lugares. “Ide por todo mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura.” (Mc 16,15) Vemos que Jesus chamou os doze homens, o grupo dos apóstolos (Mc 3,14-19), e os apóstolos fizeram o mesmo escolhendo os seus sucessores na missão evangelizadora. Assim, os presbíteros estão unidos ao sacerdócio de Cristo, atualizando a presença de Cristo em nosso meio. Somente um varão pode receber o sacramento da ordem (cân. 1024). Por isso, ninguém tem o direito de outorgar este cargo a si mesmo, mas a pessoa é chamada por Deus para esta grande missão.

O Sacramento da Ordem divide-se em três graus, o episcopado, o presbiterado e o diaconato. O bispo é como que a imagem viva de Deus Pai que, pelo Espírito, foi constituído verdadeiro e autêntico mestre da fé, pontífice e pastor. Juntamente com o múnus de santificar, o bispo tem o poder de ensinar, reger e pregar  o Evangelho a toda criatura. Cabe aos diáconos, entre outros serviços, assistir o Bispo e os padres na celebração dos divinos mistérios, sobretudo a Eucaristia, distribuir a Comunhão, assistir ao Matrimonio e abençoá-lo, proclamar o Evangelho e pregar, presidir os funerais e consagrar-se aos diversos serviços da caridade.

O padre é uma pessoa comum, escolhida entre os homens, para colocar-se a serviço da comunidade, no que se refere ao caráter divino. Ser padre é ser sacerdote ou santificador, a maneira de Cristo. Com o seu ministério atinge a plenitude, unindo-se ao sacrifício de Cristo, que pelas mãos, oferece sobre o altar os sagrados mistérios.

Quais as verdadeiras funções de um  presbítero? As principais funções do sacerdote são: celebrar a Santa Missa, administrar os Sacramentos e pregar a palavra de Deus. Cogita-se, popularmente que o lugar do padre é na sacristia, na igreja, no altar, ou seja, que o padre deve apenas rezar, confessar, batizar, e não se intrometer em outros setores da sociedade, como a política, a economia. Mas, o padre deve exercer a missão de Cristo, sendo profeta, sacerdote, pastor e estando junto com o povo assim como Cristo estava, denunciando as injustiças e apontando a verdade.

Ser profeta é alimentar-se da Palavra de Deus e proclamá-la à comunidade. Ser pastor é estar unido ao Bispo e aos fiéis, formando uma só família e a conduzindo à Deus Pai. O padre deve seguir o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido mas para servir e salvar o que estava  perdido. (Jo. 10) 

São João Maria Vianney, o Cura de Ars, sacerdote francês, patrono do clero, percebendo a grandiosidade deste Sacramento afirma que  “é o sacerdote que continua a obra de redenção na terra e, se soubéssemos o que é o sacerdócio na terra morreríamos não de espanto, mas de amor... o sacerdócio é o amor do coração de Jesus.”

O sacerdote deve sempre ser tratado com respeito, pelo caráter do seu ministério, e com muito amor e amizade. Ele é um homem com sentimentos e necessidades iguais a todos os seres humanos. Não é somente um funcionário a serviço, mas um amigo que dedica a sua vida exclusivamente a Deus  e a comunidade.

Portanto, frente a imensidão deste Sacramento, cabe a todo o Povo de Deus, conscientizar-se da importância do Bispo, do padre e do diácono em nosso meio. É dever de toda a comunidade cristã incentivar as vocações sacerdotais e ajudar a promovê-la, na dimensão missionária de Cristo.

Mário Sérgio Krik, osbm

 

 

A Bíblia Sagrada

 

O mês de setembro é dedicado à Bíblia. A palavra Bíblia, na língua grega,  significa “os livros”, ou seja, é o conjunto de todos os livros do Antigo e do Novo Testamento, inspirados pelo Espírito Santo.

A Bíblia é uma pequena biblioteca composta de 73 livros (46 AT e 27 NT), que não contém somente doutrinas, mas também histórias, narrativas, filosofias, orações, etc. Um livro antigo, porém muito atual. Nela encontramos os fundamentos necessários para uma boa vivência dos valores cristãos e morais. Ela serve para ensinar, corrigir e educar o ser humano dentro da comunidade e da sociedade.

A Bíblia foi escrita por vários autores e levou muito tempo para ser escrita. O Antigo Testamento levou cerca de 10 a 11 séculos para ser escrito e o Novo Testamento cerca de meio século. No entanto, todos estes autores eram inspirados por Deus a escrever a sua mensagem de esperança. A escrita era realizada pelos “hagiógrafos”, ou seja, autores humanos, inspirados pelo Espírito de Deus. A tradição da Igreja reconheceu estes livros como inspirados, aceitando-os e denominando-os “Livros Canônicos”.

Apesar de existirem muitos autores, e uma distância de tempo entre os escritos, a Bíblia possui uma maravilhosa unidade. Esta organização  gira em torno de um único assunto, que é Jesus Cristo. No Antigo Testamento, é prometido, profetizado e esperado o messias-salvador. Já, no Novo Testamento, temos a história, a doutrina do Salvador e o nascimento da Igreja primitiva. O que no Antigo Testamento se profetizava, no Novo Testamento se realiza. Jesus veio para completar o Antigo Testamento, sobretudo o que ainda não estava claro para as pessoas no Seu projeto de salvação.

A finalidade da Bíblia é anunciar a todos os seres humanos, de todos os lugares e épocas, a verdade religiosa, o caminho que o ser humano deve seguir para alcançar a Deus e a vida eterna. “Tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho.” (Sl. 119, 105) Ela nos ajuda a entender o sentido da vida e nos ajuda a perceber a presença da Palavra de Deus em nossa realidade. Por isso, é preciso interpretar a Bíblia, olhando a realidade da vida, pois Deus quer  comunicar-se conosco através da experiência que vivenciamos.

A Bíblia é a Palavra de Deus. É Deus quem nos fala. Ela é fruto e ação gratuita de Deus aos va do cidadão.

            Para fazermos uma escolha com menor margem de erro, precisamos de informações sérias e honestas. Para tal intento precisamos conhecer a conduta pública do candidato, ou seja, saber quais foram seus cargos e mandatos anteriores, acompanhar sua atuação social, a sua conduta moral e os projetos que eventualmente tenha proposto. Nesses projetos geralmente estão embutidos os interesses defendidos.

            A mídia, apesar de nos fornecer informações a respeito dos candidatos que ajudam no conhecimento dos mesmos, em contrapartida também pode nos apresentar apenas uma imagem sombria destes. Rostos maquiados, pessoas alegres, belas melodias, slogans que tentam comover o eleitor. Basta sair nas ruas para depararmos com alto-falantes, jovens distribuindo panfletos, cartazes e outdoors que formam o nosso imaginário. Terminamos às vezes por escolher os políticos, como fazemos com as mercadorias - apenas  pela força sugestiva da propaganda.

            Entretanto, perante todos esses condicionamentos, podemos enumerar alguns critérios para fazermos uma boa escolha de nossos representantes, como:

-honestidade e seriedade, não envolvimento em práticas de corrupção;

-métodos justos para obter votos, sem ludibriar e sem oportunismos;

-passado de engajamento ao lado dos necessitados;

-programas consistentes e não “promessas eleitoreiras”;

-respeito ao povo e à sua organização, disposição para ouvir e incluir os eleitores nas decisões e projetos, capacidade para captar os anseios populares;

-competência, capacidade, coragem, maturidade e disposição para o diálogo sincero;

-forma honesta de custear a campanha, sem compromissos dúbios e gastos excessivos;

-vida pessoal coerente e honesta, preocupação com o bem comum e não com seus interesses pessoais.

      O bem-estar da sociedade exige dos eleitores a responsabilidade de escolher bem os seus dirigentes, aos quais será confiado grande parte do destino do país. O Concílio Vaticano II faz a advertência: “Lembrem-se todos os cidadãos do direito e do dever de usar livremente o seu voto para promover o bem comum” (Gaudium et Spes, 75).

Irineu Letenski, osbm

 

Imigração  Ucraniana no Brasil (1)

Contexto histórico

 

            Utilizamos deste veículo de informação para resgatar a cultura ucraniana, dando enfoque principal à imigração ucraniana no Brasil. Sendo impossível compactar o assunto em poucas linhas, este texto terá uma continuação nos números posteriores do jornal.

            A Ucrânia situa-se na parte sul da Europa Oriental, entre os mares Negro e Asov, possuindo um território de 742.000 km². Suas principais cidades são: a capital Kiev, Lviv, Ogessa, Dnipropretrousk, Ternopil, Ivano-Frankiusk e outras. A população é aproximadamente de 45 milhões de habitantes. O território ucraniano é considerado como um dos mais ricos da Europa devido seus recursos agrícolas e minerais. Os principais produtos agrícolas cultivados são: o trigo, o centeio, a cevada, a beterraba açucareira e a criação de gado. Há também ricas reservas minerais, sobretudo de carvão, ferro e manganês.

            A data precisa da origem da Ucrânia é duvidosa, mas é provável que situe-se ainda antes de Cristo. O certo é que no século IX foi criado o Estado de Kiev nas planícies do sul da Rússia. Este Estado teve papel importante na Europa entre os séculos IX e XII, devido ao seu comércio desenvolvido e abundante riqueza. A Ucrânia sofria invasões de povos vizinhos, principalmente dos tártaros-mongóis e estava por um longo tempo, sob o domínio da Polônia. Então, para proteger as fronteiras, os ucranianos constituíram o Estado Cossaco em meados do século XIV. Este exército, reconhecido pela Santa Sé, teve inúmeras conquistas, como a libertação de escravos cristãos e o desbarratemento do exército turco. Os ucranianos estavam insatisfeitos com a Polônia, devido ao sistema feudal, pois eram submetidos à escravidão. Travou-se então, em 1648, uma guerra entre a Ucrânia e a Polônia, sendo que a primeira sofreu as maiores conseqüências. Um Tratado assinado em 1654 deveria garantir a plena liberdade nas relações da Ucrânia com os Estados estrangeiros. Porém, o tzar moscovita Pedro I, que teve a incumbência de ser o patrono deste Tratado, assinou um acordo com a Polônia, liquidando completamente o Estado Cossaco. A Ucrânia então perdera a autonomia e houve confisco dos bens do povo, deportações para a Sibéria, prisões e aplicação de penas capitais. Os ucranianos, segundo as intenções moscovitas, deveriam transformar-se em Russos ou ser exterminados. Assim, no ano de 1876 iniciou-se a emigração ucraniana. Os agentes navais faziam promessas de terras fáceis no Ocidente, e assim os ucranianos chegaram ao Continente Americano.

            Em meados do século XIX, ocorreu na Europa um forte surto de movimentos nacionalistas e libertação. O povo ucraniano também não deixou de manifestar suas idéias pró-libertárias, sobre tudo através da literatura e da poesia. Mas, as guerras voltaram a acontecer e o ideal da independência estava sucumbido. O território ucraniano foi invadido pelos bolchevistas e outros povos entre os anos 1918 e 1922 havendo enorme carnificina; os campos foram abandonados, as aldeias destruídas e as igrejas incendiadas, assentando-se a fome, a miséria e muitas epidemias. Como a situação tornava-se cada vez mais difícil, com a superpopulação rural e a industrialização ainda incipiente, o povo novamente viu-se obrigado a emigrar a outros paises. Então a partir de 1895, ocorreu o auge da imigração.

Jorge Repula, osbm

 

 

Aconteceu...

 

Num belo domingo, intuímos que este seria um dia diferente e que algo novo estava por acontecer. E assim ocorreu. Dia 18 de agosto, pessoas alegres chegavam para o encontro de jovens na comunidade de São Josafat, no Boqueirão, e eram bem acolhidas. O tema escolhido para nortear o encontro, “Relacionamento Humano”, foi  de grande importância, atendendo o desejo de aprofundar a convivência social e a integração entre os jovens das diversas comunidades, visto que o ser humano é um ser social que necessita do outro para realizar-se como pessoa.

            Após ser servido o delicioso café, os jovens presentes reuniram-se no salão, onde o grupo Viva-Vida entoou lindas canções de acolhimento, criando de imediato um clima de oração. O coordenador da pastoral da juventude fez a acolhida e, em seguida, a palavra ficou sob a responsabilidade do frei Charles, membro dos Carmelitas dos Pés Descalços. Frei Charles falou sobre o tema da oração, segundo a  doutrina da reformadora da sua congregação, Santa Teresa de Jesus, doutora da vida de oração. O referido frei, em sua palestra, enfatizou a relação da oração com a realidade, sua importância, exigências espirituais e humanas e a pedagogia da oração. A oração, afirmava ele, só é oração quando causa transformação, ou seja, quando ela é integrada na prática. A atitude de humildade, liberdade e de amor ao próximo são as condições essenciais da oração que leva a um bom relacionamento pessoal e social.

            Às 11 horas, todos se reuniram na Igreja para a Divina Liturgia concelebrada pelos padres Demetrio Kovalski e Sérgio Ivanczuk, osbm. Ambos os sacerdotes dirigiram palavras de incentivo, amor, doação ao próximo e construção de um mundo melhor, segundo a vocação especifica de cada um.

            Após uma farta mesa de alimentos, servidos como almoço, retornaram todos ao salão, sob animação do grupo musical. Então, o terapeuta e professor, Jair Passos, realizando dinâmicas e narrando a alegoria da águia e a galinha, destacou os princípios de amor e da comunicação, enfatizando a alegria de viver, tendo Deus como ideal máximo em nossa vida. Destacou também a importância da liderança compartilhada na comunidade. A partir de alguns exercícios físicos, ensinou como é importante a eliminação do estresse para um relacionamento inovador e otimista, com base no amor universal. Houve ainda, no final, sorteio de brindes para os participantes e o sorteio da rifa promovida pela Pastoral da Juventude.

            Enfim, nos resta externar os nossos sinceros agradecimentos a todos que se empenharam na realização deste encontro: a todos os jovens presentes, a toda comunidade e equipe organizadora do Boqueirão, ao grupo Viva-Vida, àqueles que colaboraram na venda da rifa e a todos que de alguma forma ajudaram no sucesso desse evento. Fica aqui o incentivo aos jovens à participação das atividades nas comunidades e também o convite para programações futuras promovidas em benefício dos jovens, como o retiro e o passeio.

“Jovem, ouse voar pelo céu com as asas do coração. Cruze fronteiras em defesa da vida. Lute confiante: você vai conseguir! Jovem, Deus está com você!” Luizinho Bastos

                                                           A Coordenação