
Editorial
Prezados leitores! Mais uma vez chega a vossas mãos o
Boletim Caminho Novo. Queremos vos informar que de hora em diante, este
Boletim não será mais editado mensalmente, como vinha sendo feito: os números
serão agora relativos a dois meses. A mudança ocorre
por motivo de
contenção de gastos com a impressão e também porque julgamos que,
com um período de tempo maior entre cada edição, poderemos aperfeiçoar ainda
mais o nosso informe.
No
mês de outubro comemoramos a nossa padroeira Nossa Sra Aparecida. Tempo especial
para rendermos glória à
Mãe de Nosso Senhor,
principalmente através da oração do terço. Oração bela para ser cultivada
em família, luz e inspiração para a vida matrimonial, proteção para os
filhos . Maria foi aquela que seguiu os passos de Cristo e, mais do que
palavras, nos deixou seu exemplo de vida e fé.
Alimentamos a nossa fé participando dos sacramentos.
Demonstramos a nossa fé através das boas obras, com ajuda ao próximo, ao
necessitado, com a prática em nossa comunidade. Conheçamos melhor a nossa
fé através da oração diária, da meditação e de boas
leituras.
Sacramento
do Matrimônio
Os sacramentos possuem um vínculo de comunicação com Deus e com os
homens, e implicam responsabilidade na aceitação e na vivência coerente de todos os sacramentos. Assim,
o matrimônio é o sacramento que abençoa e consagra o homem e a mulher, num
contrato sagrado e indissolúvel, para se amarem,
procriarem e educarem seus filhos.
A vocação ao matrimônio está inscrita na própria natureza do homem e da
mulher desde a criação. Deus criou o homem e a mulher para uma comunhão
recíproca entre si, não somente para uma união de dois corpos, mas uma comunhão
de seres, de dois filhos de Deus, os quais por meio desta união transformam-se
numa só carne, união essa que deve refletir o amor de Deus
pela humanidade. É nesta perspectiva que o apóstolo São Paulo compara o
matrimônio com o “grande mistério” que é o amor de Cristo pela Igreja. Nas Bodas
de Caná (Jo 2,1-12), o sinal
da presença de Cristo revela o profundo valor do matrimônio abençoado pela graça
divina. A celebração do casamento na Igreja, por intermédio do sacerdote que
assiste e abençoa a união dos noivos, renova e atualiza o gesto vivificante de
Cristo.
O Matrimônio é uma realidade terrestre elevada ao nível do sacramento da
Igreja, tornando assim o matrimônio no Senhor e na Igreja (Ef 5, 21-33) que encontra o seu
sentido pleno no amor pascal de Cristo. O mandamento pascal de Cristo “amai-vos
uns aos outros como eu vos amei” é a expressão do seu amor e de sua participação
por nós. Assim, o sacramento do Matrimônio é a união do homem e da mulher no
amor pascal de Cristo que constituem uma comunidade nova. Formando esta
comunidade, comprometem-se para viver na fé, pois ali está o paradigma do amor
verdadeiro, Jesus Cristo.
O homem e a mulher batizados constroem uma aliança entre
si e constituem uma perfeita comunhão de vida, ordenada
pela índole natural à felicidade dos cônjuges e tornam-se responsáveis pela educação da
descendência.
A categoria bíblica de aliança permite compreender, de modo mais
profundo, o conteúdo e o sentido do Sacramento do Matrimônio, lançando uma luz
nova sobre a sua propriedade essencial que é o amor manifestado na compreensão,
na ajuda, no respeito. O amor só é
autêntico quando
é total, definitivo e exclusivo, com reflexo na eternidade.
A fidelidade do amor conjugal exige dos esposos uma
fidelidade inviolável, definitiva, mas para que isto aconteça é de suma
importância que o casal tenha a vivência do amor infinito de Deus como
fundamento para manterem-se perseverantes no compromisso
assumido.
Este pacto conjugal feito sob a inspiração da ordenação divina tem uma
repercussão na sociedade, pois a colaboração mútua entre os cônjuges firma a
presença de uma instituição familiar que deve levar à realização da dignidade
dos nubentes, ou seja, o bem dos cônjuges, da sociedade e da geração futura que
considera Deus como o autor do matrimônio. No cumprimento destes fins,
necessita-se de um aperfeiçoamento pessoal e eterno de cada membro da família
para a dignidade, estabilidade, paz e prosperidade da própria família e da
sociedade como um todo.
A instituição do matrimônio e o amor dos esposos têm a natural função de
procriação e educação dos filhos. Por isso, eles “já não são dois, mas uma só
carne” (Mt 19,6) que auxiliam-se e experimentam na
união íntima e na doação recíproca uma perfeita fidelidade e indissolúvel
unidade. Os filhos são dons excelentes que constituem um benefício máximo para
os pais, pois, com eles cultiva-se o verdadeiro amor conjugal e toda a estrutura
familiar é fundamentada. A missão dos que se uniram é transmissão da vida e
educação dos filhos, na cooperação para a manifestação do amor de Deus Criador e
na realização como ser humano. Desempenhar com responsabilidade humana e cristã
o papel familiar é indagar-se sobre as condições materiais, espirituais dos
tempos e do estado de vida a fim de proporcionar o melhor
para os filhos. Conforme o
documento conciliar Gaudium et Spes, o
matrimônio não foi instituído apenas para o fim da procriação. A própria índole
do pacto indissolúvel entre pessoas e o bem dos filhos exigem que o amor
recíproco se realize com reta ordem crescente e perfectível. Embora os filhos
tão desejados não venham ao mundo, o matrimônio continua sendo o exemplo da
íntima comunhão da vida, conservando seu valor e sua indissolubilidade. Considerando o bem da comunidade
familiar, da sociedade temporal e da própria Igreja, a família é acima de tudo,
uma pequena igreja, ou seja, como afirma João Paulo II, a família é a “Igreja
doméstica”; também é comunidade de graça e de oração, escola das virtudes
humanas e da caridade cristã, na qual os pais devem ser para os filhos os
primeiros professores da fé. É no seio da família que se adquirem os primeiros
valores e se descobre o sentido da dignidade da vida.
No matrimônio a união deve ser mútua e permanente que envolve a
totalidade. Porém, existem dificuldades que aparecem no dia-a-dia dos casais,
gerando obstáculos que desorganizam a vida conjugal. É nestes momentos dificeis que deve-se recorrer com
maior confiança ao amor imensurável de Deus, através da oração na participação
da eucaristia e buscar um diálogo inter-pessoal, onde predomine a escuta e o
respeito.
O enriquecimento familiar só é pleno quando celebra-se a vida na comunhão da alma, no bem querer, na
decisão comum, na educação dos filhos. Educar o filho é prepará-lo para que na
idade adulta tenha responsabilidade vocacional, escutando o chamado de Deus para
qual estado de vida deve optar e, se for familiar, deverá atender as
necessidades espirituais, morais, sociais e econômicas.
Enfim, os esposos, criados a imagem de Deus vivo e estabelecidos numa
verdadeira relação inter-pessoal, devem estar sempre
unidos por um igual afeto, por um pensamento comum e por uma santidade mútua, a
fim de que, seguindo Jesus Cristo, o princípio da vida, se tornem, nas alegrias
e nos sacrifícios de sua vocação, testemunhas fiéis do mistério do amor que o
Senhor revelou ao mundo através de sua morte e
ressurreição.
Mario Sérgio Krik – osbm
O
Terço
Valor e beleza
de oração
O mês de outubro é dedicado ao Terço/Rosário.
Neste mês, a Igreja nos convida a rezar o terço de um modo muito especial, pois
trata-se de uma oração muito bela, composta das mais
belas orações que são: o Pai-nosso e a Ave-Maria. O terço é uma oração universal
na qual todos se encontram e encontram-se com o Pai que
“tanto amou o mundo que entregou seu Filho Unigênito” (Jo 3,16); com o Filho, o Emanuel, isto é, o Deus conosco
(cf. Mt 1,23); com o Espírito Santo que continua sendo derramado sobre nós,
conforme vemos e ouvimos (cf. At 2,33).
Terço é a terceira parte de um Rosário que
corresponderia a 150 Ave-Marias, 15 Pai-nossos e 15 Glórias ao Pai.
“Rosário” em seu sentido original significa
“rosas de oração” oferecidas pelos filhos à querida mãe
Maria.
No terço, a repetição de palavras funciona
como fundo musical para a meditação ou contemplação. O importante é a reflexão
sobre os momentos (mistérios) da vida de Jesus.
A tradição da Igreja consagrou um modo de
rezar o terço. No mistério de cada dezena contemplam-se: a Alegria, o Sofrimento
ou a Esperança que, segundo o costume, são rezados conforme os dias da semana:
Segunda e Quinta-feira: Alegria (Mistérios Gozosos). Terça e Sexta-feira:
Sofrimento (Mistérios Dolorosos). Quarta-feira, Sábado e Domingo:
Esperança (Mistérios Gloriosos).
A qualquer hora do dia ou da noite, em
qualquer lugar do mundo, alguém reza o terço para louvar a Deus e agradecer
pelos dons, para suplicar graças, pedir perdão e bendizer pelas maravilhas por
Ele realizadas.
Quando rezamos o terço fazemos um “passeio
pelo Evangelho” em união com Maria Santíssima. Esta oração faz-nos olhar para
Maria, qual o olhar do Pai que a chamou e a enriqueceu com seus dons, em vista
da missão que ela deveria exercer no mistério de Cristo e da Igreja.
A oração do Pai-nosso é uma oração bíblica: O
Pai-nosso é a oração que Jesus Cristo nos ensinou. A oração da Ave-Maria, na
primeira parte, é a saudação que lemos no Evangelho àquela que foi escolhida
para ser a Mãe de Deus (cf. Lc 1,28.42). O terço repete as palavras do Evangelho. Jesus
nasce de Maria, cresce, anuncia o Reino, realiza a vontade do Pai, sofre a
Paixão, vence a morte e hoje se faz presente na
Eucaristia.
Rezando o Pai-Nosso e a
Ave-Maria nos unimos a Jesus e a Maria. Quem de nós não tem um amigo(a), uma pessoa de quem gosta? Certamente cada uma tem e sempre
encontra um momento para conversar com ela porque gosta dela e a ama. Assim
também nós encontramos um momento do dia ou da noite para unir-se com Maria e
rezar o terço. Quantas vezes estamos sozinhos, esperando
alguém ou mesmo quando não conseguimos dormir, por que não começar a
rezar o terço? Muitas pessoas encontram um momento, mesmo no trabalho para rezar
o terço porque esta oração liberta e nos põe em íntimo diálogo com o Libertador
maior que é Deus.
A oração do terço é simples e profunda. É
simples porque até as crianças podem rezar e dela colher frutos. Esta oração
surgiu no meio do povo simples, dos humildes. Mas até os grandes místicos e as
pessoas eruditas perceberam nesta oração uma fonte inesgotável de benefícios
espirituais e por isso, a oração do terço torna-se também uma oração
profunda.
O terço não é uma oração individualista.
Mesmo que eu reze o terço sozinho, estou sintonizado com toda a Igreja, com Deus
em Jesus Cristo, com Maria Santíssima e todos os Santos.
O terço é muito popular na cidade ou no
campo, entre os religiosos(as), leigos adultos e
crianças, padres, bispos e até mesmo o Papa. Todos têm uma simpatia especial
pela oração do terço que sempre foi rezado por toda a Igreja, principalmente
pelo povo simples que encontra no terço uma maneira prática de manter-se em
união com Deus.
Luís Caciano
Imigração Ucraniana no
Brasil (2)
Etapas da
Imigração
A vinda dos ucranianos para o Brasil é assinalada por três fases que
revelam diferentes momentos históricos sob diferentes causas. Os imigrantes eram
na maioria católicos do rito bizantino com uma pequena porcentagem de incrédulos
e a sua área de trabalho era a agricultura com um pequeno índice de
comerciantes.
A primeira etapa da imigração ocorre nos fins do século XIX,
provavelmente entre os anos de 1876 e 1895. Devido a débil industrialização, as
más condições sócio-econômicas, a superpopulação agrária, os ucranianos
sentiam-se forçados a transpor as fronteiras rumo a
terras desconhecidas. Chegaram ao Brasil, cerca de 25 a 30 famílias
vindas da Galícia (Ucrânia Ocidental) e se
estabeleceram em Curitiba. Em 1895-1896, cerca de 5 mil
famílias abandonaram a Galícia e desembarcaram no
porto de Paranaguá, espalhando-se
pelo Paraná, e por Santa Catarina. Entre 1897 e 1899, desembarcaram no
Paraná mais 300 famílias que posteriormente se fixariam nos Estados de São Paulo
e Rio Grande do Sul.
A partir de 1908 ocorreu a segunda etapa de colonização ucraniana durante
a construção da Estrada de Ferro Paraná - Santa Catarina – Rio Grande do Sul,
que o governo brasileiro, para atrair interessados para essa grande obra, pagava as passagens de navio e despesas
de alimentação. Milhares de eslavos (ucranianos e póloneses) foram-se instalando nas margens da ferrovia que
era construída nas:regiões de Ponta Grossa, Irati, Mallet, Dorizon, Paulo Frontim, União da
Vitória, no Paraná e em algumas cidades de Santa Catarina. Nessa etapa, que
prolongou-se até à Primeira Guerra Mundial, um total de
vinte mil ucranianos tinham vindo.
Na terceira etapa, entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial (1914 –
1945), muitos ucranianos imigraram, motivados principalmente,pelo fato de já terem parentes estabelecidos
no Paraná. Até á Segunda Guerra chegaram, em média, nove mil pessoas e, após a
Guerra, mais sete mil. Dentre estes, alguns preferiram o Estado do Paraná ou o
Rio Grande do Sul, como também o Estado de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Rio
de Janeiro. Importante salientar que neste período haviam chegado muitos
intelectuais e técnicos que preferiam as grandes cidades, onde podiam fazer
aplicação de seus conhecimentos.
Enfim, pode-se afirmar que, durante 65 anos, chegaram
aproximadamente 60.000 pessoas. Hoje, no Brasil, há mais de 300.000 imigrantes
ucranianos e seus descendentes, dos quais 90% estão no Paraná, destacando-se o
município de Prudentópolis que concentra um grande
número de habitantes de origem ucraniana.
Jorge Repula, osbm.
Domingo:
Dia do Senhor
Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou. O sétimo dia para
os judeus no Antigo Testamento era o sábado. Os cristãos, em memória da
ressurreição do Senhor, passaram a guardar o domingo. Deus fez desse dia o dia
“descanso”. Mas os homens transformaram o significado do domingo, dando-lhe
outros sentidos. De tal modo que o domingo é amado por uns e detestado por
outros. Há quem adore o domingo, outros o detestam porque não sabem o que fazer
com ele.
A palavra domingo se origina de “Dominus” que
em latim significa “senhor”. Domingo é o dia de Deus, o dia do Senhor. Para os cristãos
ele é o dia da oração, da fraternidade, da comunidade, da palavra de Deus, da
Eucaristia, da ligação com Deus e com a comunidade. De fato, o domingo é o dia
da comunidade de fé e amor. Nesse dia, a comunidade se reúne e vive sua fé. Celebra
sua vida recriando a vida, através da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Na
programação do domingo Deus deve estar em primeiro lugar.
Para nós, cristãos, o domingo recebe um sentido especial a partir da
ressurreição de Cristo. Por isso, é dia de “ressuscitar” do cansaço, do desânimo
e do trabalho pesado. É dia de olhar para cima, pois, é como nos diz a Bíblia,
“no sétimo dia Deus descansou”. Nós
também devemos entrar no ritmo de Deus, no programa de Deus. Descansar não significa
desperdiçar o tempo ou vagabundear, mas sim dar louvor, alegrar-se, glorificar a
vida que está em nós e agradecer a Deus pelas graças recebidas durante os demais
dias da semana. Por isso, em tudo o que fizerdes no domingo: Louvai a Deus com
vossa vida e vossos atos.
NOSSA SENHORA APARECIDA
O dia 12 de outubro é comemorado pelos brasileiros como uma grande festa, que
homenageia a padroeira e rainha do Brasil, assim conhecida como Nossa Senhora da
Conceição Aparecida.
O termo “Aparecida” vem do fato que, no ano de 1717 três pescadores, ao
lançarem suas redes no leito do rio Paraíba do Sul, “pescaram” uma pequena
imagem, enegrecida, quebrada, sem cabeça. Lançada outra vez a rede, eis que
surge a cabeça da imagem. Dizem-se que os pescadores
até então não tinham pescado absolutamente nada, mas após terem “pescado” a
imagem da santa, lançando as redes novamente pegaram peixes em
abundância.
A imagem da santa ficou durante 28 anos na
casa de um
dos pescadores, denominado João Alves e ali o povo reunia-se e rezava em torno
dela. Muitos milagres
aconteceram em seqüência. A devoção tornou-se rapidamente popular,
e a imagem passou a ser objeto de veneração. Levada para a Basílica de Nossa
Senhora Aparecida, a santa tornou-se oficialmente a rainha e a padroeira do
Brasil no ano de 1930 pela promulgação do papa Pio XI. Os milagres atribuídos a
Nossa Senhora Aparecida são muitos. Notamos a devoção dos romeiros que todos os
dias se reúnem no Santuário de Aparecida em São Paulo, para pedir e agradecer
graças por Ela intercedidas.
Nossa Senhora é nossa mãe, mãe de Deus, é a
pessoa que revela o amor do Pai de forma maternal para com todos os seus filhos
e filhas. A intercessão de Maria em nossas vidas é sempre simples; ela vem em
nosso auxílio para nos libertar. Nossa Senhora é libertadora. A presença de
Nossa Senhora é sempre um apelo à conversão. Muitos buscam libertar-se de males,
perigos, situações de falsidades, desilusões e inseguranças. Nossa Senhora está
pronta a nos ajudar a permanecermos firmes na fé em Nosso Pai.
Também não devemos esquecer que o dia 12 de
outubro é dedicado às crianças. Maria, mãe de Jesus e nossa mãe, homenageada em
dupla comemoração.
Peçamos a Nossa Senhora Aparecida que proteja
e guie sempre as nossas crianças, que ilumine as mentes dos pequeninos e os
conduza aos braços do Pai; que nos ajude também na transformação do nosso
país, da nossa sociedade, da nossa família, da nossa comunidade em um lugar de paz, amor, liberdade,
verdade e fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.
Luciano Barabach osbm.
Coluna
do Leitor
Respondendo à pergunta de uma leitora (Márcia
- Ipiranga), por que a amizade está cada vez mais distante entre as pessoas,
seria o orgulho? (pergunta referente ao texto publicado no mês de
julho sobre amizade)
Caríssima leitora,
opinando sobre a
sua pergunta, acreditamos ser o orgulho um fator que atrapalha na relação entre
as pessoas.
Quem gosta de ter amigos orgulhosos? O orgulhoso é aquele que tem um elevado
conceito de si mesmo. Ele não está aberto nem disponível para ouvir o que o
outro tem a dizer ou a compartilhar, pois somente suas idéias têm valor e
significado. Por isso, o orgulho é um dos fatores contraditórios na relação de
amizade.
Hoje em dia, na sociedade
com os meios de comunicação e a tecnologia avançados,
ocorreu um distanciamento das pessoas, levando-as ao individualismo. Como
sabemos, o ser humano não foi feito para viver sozinho e sim para estar em
relação com seus semelhantes num clima de amizade e amor. Devemos lembrar que
Cristo cultivou da virtude da amizade, teve seus amigos intimos ( Lázaro, o apóstolo
João...) demonstrando seu amor pela humanidade longe de qualquer interesse
pessoal.
No momento em que tudo
parece convergir-se para o subjetivismo, o orgulho de si, a amizade se
torna algo fundamental a ser resgatada. A amizade verdadeira não nos traz
somente a companhia de pessoas que amamos, mas ela é mais do que isso, é partilha de vida entre as pessoas, nas alegrias e nas
dificuldades.
A amizade é mais que um simples relacionamento entre indivíduos, é viver em comum–unidade, é atitude de mútua relação, na
busca da concretização da felicidade. A amizade é honesta quando consiste em
querer o bem do outro. Já imaginaste como seria se tudo o que fazemos na nossa
vida fosse para o bem do outro? Com certeza, não existiria tanto sofrimento no
mundo, e o orgulho, o egoísmo estariam superados.
Assim, estaríamos cumprindo a
vontade de Cristo: “amais uns aos outros, como eu vos amei”.
Não pretendemos aqui dar uma resposta definitiva a essa pergunta, intento
impossível neste caso, devido à diferença dos fatos, circunstâncias e mesmo à
singularidade da vida de cada um. Sendo que, cada caso é um caso, deve-se antes
estudá-lo, para chegar a uma resposta, a uma saída, o mais acertada possível.
Tentaremos sim, indicar alguns caminhos que poderão ajudar a resolver estas
dificuldades.
Falar de escolhas, de opções, de decisões, de ser alguém na vida é sempre
algo muito difícil, pois envolve não somente a pessoa que está fazendo tal
escolha, mas de certa forma a todos que com ela convivem.
Os outros influenciam em nossas escolhas, queiramos ou não, contudo, a
resposta decisiva sou eu quem devo dar, a decisão deve
ser minha, feita como fruto de uma opção livre, e não sob pressão dos
outros.
Devemos ter bem claro que
somos chamados por Deus a realizar uma missão. Dentro da realização desta,
surgem muitos questionamentos, muitas dúvidas, muitas barreiras que às vezes
parecem nos impedir de seguirmos adiante. Quando alguém nos priva, nos barra de
fazermos algo que queremos, certamente o faz penando que isso é melhor para nós,
contudo nem por isso devemos obedecer cegamente ao que nos mandam, mas estarmos
abertos a dialogar e através do diálogo chegar a uma solução, a um acordo, a um
denominador comum. Ninguém tem o direito de barrar ninguém de tomar uma decisão
de vida, se esta decisão que está sendo tomada é para o bem, para a realização
de sua felicidade. Muitas vezes acontece de nossas intenções serem boas, no
entanto, acabamos prejudicando a quem queríamos ajudar, nem sempre o que é bom
para mim o é para os outros.
Cada pessoa é um “mundo”, cada pessoa sente, pensa, decide e age de
diferente modo, e por isso deve ser escutada e ter sua idéia ou decisão aceita
pelos outros. Ninguém tem o direito de impor a ninguém aquilo que pensa e deseja
para si. A formação da personalidade não deve ser uma simples
adequação àquilo que, ou os pais, ou outras pessoas querem impor. A
personalidade deve ser formada em uma decisão vital, em um rumo, em uma opção
fundamental e definitiva. Nenhum valor deve estar acima desta opção fundamental.
Penso que todo cristão deve ter como centro da opção fundamental a pessoa de
Jesus Cristo e caminhar sempre em direção a esse Ideal.
Porém os caminhos a seguir são variados, mas convergem todos para um só
referencial. Sabemos que não somos anjos, mas que vivemos uma vida dentro de um
contexto histórico, onde as situações marcam profundamente nossas opções, nossas
lutas, nossos sentimentos, sonhos e projetos, no entanto não podemos nos abater
diante dos problemas e dificuldades que aparecem em nossa vida, pois estaríamos
jogando fora tudo o que tínhamos sonhado e planejado. Devemos sim, lutar com
todas as forças na busca da realização de nossos sonhos e ideais, mas nessa
busca não podemos caminhar sozinhos, ou simplesmente passando por cima daqueles
que muitas vezes nos barram, nos privam de realizar o que queremos.
Devemos crescer cada vez mais na caridade, cultivando as amizades, e
quando precisarmos, porque não, recorrermos a um verdadeiro amigo e pedir a ele
auxílio, partilhando com ele nossos problemas, nossas dificuldades, tentando
chegar juntos a uma solução para estes. Esse amigo, pode ser alguém de nossa confiança, que tenha passado por
semelhante experiência, uma pessoa mais velha, ou então a um padre que nos
acompanhe e possa mostrar caminhos para sair de tais dificuldades. Lembremos que
a oração, o contato com Deus, e a escuta interior são
fundamentais para nos auxiliar nesses momentos. Jamais devemos tomar
decisão alguma em momentos de crise, mas dar tempo ao tempo e veremos então que
os problemas que dramatizam nossa vida se resolverão naturalmente. Nestes casos
o desespero nada irá resolver.
A
Palavra de Deus que transforma
Objetivo: Fazer o grupo refletir de
que forma assimilamos a PALAVRA DE DEUS em nossas vidas.
Material: um bolinha de isopor, um giz, um
vidrinho de remédio vazio, uma esoponja e uma vazilha com água.
Descrição: Primeiro se explica que a
água é a palavra de Deus e que o objeto somos nós, depois se coloca a água na
vasilha, e alguém mergulha o isopor, após ver o que ocorre com o isopor,
mergulhar o giz, depois o vidro de remédio e por último a esponja. Explicar que
a água é a Palavra de Deus e os objetos somos nós. Dê um objeto para cada
pessoa.
Colocar 1º a bolinha de isopor na água. Refletir: o isopor não afunda e
nem absorve a água. Como nós absorvemos a Palavra de Deus? Somos também
impermeáveis?
Mergulhar o giz na água. Refletir: o giz retém a água só para si, sem
repartir. E nós?
Encher de água o vidrinho de remédio. Despejar toda toda a água que ele se encheu. Refletir: o vidrinho
tinha água só para passar para os outros, mas sem guardar nada para si mesmo. E
nós ?
Mergulhar a esponja e espremer a água. Refletir: a esponja absorve bem a
água e mesmo espremendo ela continua molhada.
Iluminação Bíblica: Is 40,8 ; Mt 7,24 ; 2Tm 3,16