Estamos nos aproximando da grande festa do Cristianismo, o santo Natal, quando comemoramos a Encarnação do Verbo de Deus, Jesus Cristo. Ele é o fundamento da esperança para o mundo, em meio às injustiças e crueldades que marcam a nossa história.
Mas, por que Jesus veio à terra? Antes de tudo, para nos revelar Deus Pai, identificar-se como seu divino Filho e demonstrar a atuação do Espírito Santo na Trindade, na Igreja e em cada um de nós. Veio, também, esclarecer o grande mistério do ser humano, que só podemos compreender melhor quando confrontado com o Homem Novo - Cristo, pois o velho homem - Adão, desfigurou a história e a face da humanidade. Em Cristo, o ser humano está destinado à glória, resplandecendo em si o brilho do próprio Deus. Pela fé no Verbo Encarnado, Rei do Universo e Senhor da História, vislumbramos o termo para o qual se encaminha a realidade deste mundo.
Jesus também veio ensinar como sermos irmãos. O Natal é a festa da fraternidade. É fácil afirmar isto e ficar apenas nas palavras, mas como ser irmãos de verdade, sem acepção de gênero, raça, cultura ou religião? Somos irmãos, de fato, sobretudo daqueles que celebram conosco o mistério da Encarnação do Verbo de Deus. Isto porque fomos adotados pelo Pai, em seu Filho, nosso Salvador, que se fez homem para nos restaurar, assumindo a dramaticidade da vida humana: a exclusão social, sem lugar para nascer, a perseguição, o exílio, décadas de trabalho silencioso e oculto, três anos de missão evangelizadora, e, finalmente no desfecho de sua vida, pelo Mistério da cruz, pagou com seu preciosíssimo sangue o preço definitivo desta adoção.
Natal é uma festa de luz. E as luzes despontam pelas ruas enfeitadas. Há luz também dentro das casas, no pinheirinho e no presépio iluminados. A luz é algo de divino, que ultrapassa as explicações simplesmente humanas. Luz é alegria e festa. Oposição a toda treva, tristeza, mentira e embuste. A verdadeira Luz veio até nós e o próprio Cristo se define como tal: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Essa luz há que brilhar dentro de nós e ao redor de nós. Sejamos iluminados. 
O nascimento de Jesus nos introduz, ainda, numa outra reflexão: com a Encarnação de Cristo, a sabedoria tomou outro rumo, surgiram referências completamente novas para as nossas vidas. Cristo veio ensinar uma nova percepção da realidade e purificar normas de comportamento. Conferiu critérios bíblicos aos dissolutos costumes pagãos e irrigou com a graça a aridez da lei judaica, que mostrava o erro, mas não dava a força para superá-lo. Em Cristo, temos o auxílio divino para podermos praticar e viver o que Ele anunciou.
Esta nova referência que Jesus veio trazer, nós chamamos de Boa Nova. O Natal é festa da Boa Nova, que anuncia o surgimento de uma ordem inédita para as relações humanas, na qual prevalece a justiça divina, transformando e purificando a justiça humana. O Natal nos leva a reconhecer que a autêntica promoção do ser humano não está na potência das armas, nem no poder econômico, como tinham os romanos, no tempo de Jesus, e tantos outros impérios que se seguiram na história mundial. Por isso, façamos do Natal a festa da simplicidade. Assim, estaremos em sintonia com o verdadeiro Senhor desta celebração.
O Mistério do Natal não nos oferece somente um modelo para imitar a humildade e pobreza do Senhor que está deitado na manjedoura, mas nos dá a graça de sermos semelhantes a Ele. A manifestação do Senhor conduz o homem à participação da vida divina. Assim, a verdadeira espiritualidade do Natal não consiste na imitação de Cristo "do lado de fora", mas "viver Cristo que está em nós" e manifestá-lo com a vida no seu mistério de virgindade, obediência, pobreza e humildade. Portanto, o fruto espiritual do Natal consiste no empenho moral de viver a graça da Redenção e da Regeneração, de conservar interiormente o Espírito Santo que nos faz filhos de Deus. Enfim, porque Deus nos faz filhos seus em Cristo, inserindo-nos como membros da Igreja, a graça do Natal exige também uma vida de comunhão fraterna.
Desejamos a todos uma festa de Natal cheia de alegria e graça, uma participação profunda do mistério da Encarnação de Deus. Que nasça uma inspiração feliz do Presépio e do Menino Deus, que nos convida para uma maior humanização de nós mesmos e de nossas comunidades.
Pe. João Karpovicz Sobrinho, OSBM
Fonte: Informativo Paroquial da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora - Curitiba - PR - dez/2009
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