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Novidades : Rito Bizantino
Enviado por markin em 20/10/2005 07:39:14 (3493 leituras)





A Divina Liturgia no Rito Bizantino-eslavo























 









A Divina Liturgia no Rito Bizantino-eslavo


Capítulo Introdutório de "A Divina Liturgia no
Rito Bizantino-Eslavo - Pequeno Missal Bizantino" organizado
por Pe. Mihail Sabatelli, sdb


Rito Constantinopolitano ou Bizantino



Bizantino chama-se o Rito que, derivado dos costumes litúrgicos já
conhecidos em Antioquia no séc. IV, foi desenvolvendo-se em Constantinopla
(Bizâncio) sob o dúplice influxo das basílicas imperiais e dos mosteiros,
até aparecer no século IX substancialmente igual ao rito atual.



O Rito Bizantino, do Patriarcado de Constantinopla, difundiu-se em
todas as províncias eclesiásticas dependentes na origem de tal patriarcado
(Anatólia, Balcãs, Ucrânia, Rússia) e, desde o século XI substituiu
os ritos já existentes nos patriarcados ortodoxos de Antioquia, Alexandria
e Jerusalém. Em todas estas regiões há grande uniformidade litúrgica,
embora com pequenas variantes. A diferença mais sensível é a da língua
e, mais ainda, da música. Língua originária do rito é o grego antigo,
mas desde cedo começou a ser usada a língua georgiana e, nos países
eslavos, no século XI, a língua eslava antiga ou páleo-eslavo. Mais
tarde foi introduzido o uso da língua romena, árabe e outras línguas
modernas.



Bizantino-eslavo é o rito usado pela Igreja patriarcal russa. O mesmo
nome, porém, pode ser dado ao rito dos Ucranianos e Rutenos em geral,
embora tendo suas variantes particulares.



A Missa, entre os bizantinos, recebe o nome de Divina Liturgia ou
simplesmente Liturgia. São utilizados atualmente, no Rito Bizantino,
três modelos de Liturgia:



a) de São João Crisóstomo: cuja autoria é atribuída a este
santo. É o formulário usado, na prática, durante o ano todo a não
ser quando as rubricas prescrevem a celebração de outras Liturgias.
Celebra-se cerca de 312 dias no decorrer do ano!



b) de São Basílio Magno: celebra-se ao todo dez vezes durante
o ano, a saber: nos cinco primeiros domingos da Grande Quaresma, na
Quinta Feira Santa e no Sábado Santo; na festa de São Basílio (10
de Janeiro) e no dia que precede as festas do Natal e da Epifania.
A Liturgia de São Basílio obedece ao mesmo esquema da Liturgia de
São João Crisóstomo, só que possui as orações sacerdotais (que se
rezam em voz baixa) muito mais desenvolvidas.



c) dos Pré-santificados: esta Liturgia não é propriamente uma
Missa, mas é um solene rito de Comunhão que se une à celebração das
Vésperas. É celebrada, durante o ano (em teoria) cerca de 19 vezes,
especialmente nas quartas e sextas-feiras da Grande Quaresma.



Durante o ano, há cerca de 23 dias (especialmente na Grande Quaresma)
que são a-litúrgicos, isto é, dias em que nenhuma celebração é consentida
pois a solenidade ritual e alegria espiritual da celebração pouco
se coadunam com o luto espiritual e com a atitude de arrependimento
e conversão.


Interior de Uma Igreja Bizantina



O cristão do Ocidente, ao entrar numa igreja oriental de rito bizantino,
fica logo atraído pela singularidade da mesma. Ele quase não enxergará
o Altar onde se celebram os sacros ritos. O que chama logo a atenção
é a separação marcante que existe entre a nave da Igreja, lugar onde
ficam os fiéis, e o Santuário.


1 - A Iconostase e suas características



A parede divisória que separa o Santuário da nave da Igreja é chamada
de Iconostase pois está recoberta de ícones. Possui três aberturas
com portas para a passagem dos celebrantes e dos outros ministros.
O ícone da Santa Ceia, ou da cena de Emaús, é posto bem no meio da
Iconostase no alto da abertura central. No lado direito e no lado
esquerdo da abertura central dominam os ícones do Salvador e da Mãe
de Deus, respectivamente. Outros ícones de apóstolos, doutores, mártires
e titulares da igreja, revestem os lados e o alto da Iconostase.





Fig.1 – Esquema da Iconostase clássica



A - Arco do triunfo, (com ícone da Santa Ceia); B – Portas Santas
(com ícones da Anunciação e dos 4 Evangelistas) C – Porta Norte e
Porta Sul (com ícones de Santos Diáconos ou de Arcanjos); D- ícone
do Salvador; E – ícone da Santa Mãe de Deus: F – ícones de santos
(comumente São João Batista e o titular da Igreja – ou um padroeiro
particular); I - Cristo: 2 - Mãe de Deus: 3 - S. João Batista: 4 –
Arcanjos Miguel e Gabriel: 5 – Outros santos: 6 - Série das Grandes
Festas; 7 - Série dos Apóstolos: 8 série dos Profetas.


Portas Santas:



A abertura central da Iconostase, mais larga, possui uma porta de
duas folhas, daí receber o nome de Portas Santas. Elas chegam até
meia altura. Por detrás delas corre uma cortina. Nas portas santas
estão representadas as cenas da Anunciação e os 4 Evangelistas, isto
porque as portas centrais simbolizam a boa nova, o inicio da obra
redentora de Cristo e o seu ensinamento, que introduz o fiel nos segredos
de Deus. Pelas portas santas passam somente os celebrantes revestidos
de seus paramentos durante os atos litúrgicos. Os ajudantes e demais
ministros utilizam as portas laterais. As portas santas ficam abertas
durante quase toda a Liturgia. É só nestes momentos que o fiel pode
enxergar o Altar e o celebrante.


Porta Norte e Porta Sul:



As duas aberturas laterais da Iconostase, com as respectivas portas,
recebem o nome de porta Norte e porta Sul, isto porque a tradição
dos tempos primitivos exigia que a igreja fosse construída de forma
que o Santuário ficasse voltado para o Oriente, de onde veio a salvação,
enquanto que o Norte e o Sul lhes ficariam respectivamente à esquerda
e à direita. Por estas portas passam os ajudantes e demais ministros.
Simbolizam as portas do paraíso terrestre, fechadas após o pecado
do primeiro homem e guardadas por um anjo. Os ícones de arcanjos ou
de santos diáconos (adidos ao ministério do "serviço") aparecem
pintados nas portas Norte e Sul.


2 - Planta simples de uma igreja bizantina




Fig. 2 - Planta simples de uma igreja bizantina



1- Iconostase; 2 - Portas Santas; 3 - Porta Norte; 4 - Porta Sul.


Os Ícones:



Tradicionalmente nas igrejas bizantinas não se encontram estátuas
esculpidas, mas muitos ícones guarnecem as paredes. Os fiéis os beijam,
fazem reverências, se benzem e acendem velas. Há grande devoção aos
ícones e em qualquer lar cristão do Oriente bizantino existe o cantinho
sagrado reservado aos ícones da família. O fundo dourado dos ícones
simboliza a eterna felicidade dos santos: como o ouro é incorruptível,
assim também a felicidade dos santos é constante e indelével.


3 - O Santuário e suas características



O Santuário é o espaço mais sagrado da igreja, onde ficam o Altar
e os celebrantes. É o Sancta Sanctorum (o Santo dos Santos), o lugar
inacessível aos fiéis. O nível do Santuário é um pouco mais elevado
do resto da nave, por meio de alguns degraus. Só os membros do clero
podem entrar no Santuário. Dentro do Santuário encontramos:



Altar: o Altar-Mor (do Sacrifício) situa-se no meio do Santuário,
tem sua mesa quadrada e pode ser tanto de madeira como de pedra. É
recoberto de uma dúplice toalha e o seu simbolismo nos faz lembrar
o mesmo Cristo. O Altar é visível aos olhos dos fiéis durante quase
toda a Divina Liturgia, mas nos momentos em que se fecham as portas
santas e a cortina, ele fica oculto.

Prótese: À esquerda de quem olha o Altar, está a Prótese, pequeno
Altar (da Proposição) destinado à preparação das oblatas durante o
rito da proskomídia, e à consumação das Espécies eucarísticas, depois
da Liturgia.



Diakonikon: à direita de quem olha o Altar mor fica o diacónicon,
lugar reservado para a paramentação dos ministros (= sacristia).



Trono e Assentos: no fundo da ábside central está, em lugar
um pouco elevado, o Trono episcopal (ano-cáthedra) e dum lado e do
outro do trono, no nível do chão, estão os assentos para o clero concelebrante.


Objetos Sagrados e Outros Utensílios Litúrgicos



Sobre o Altar:



Artofórion:
é o sacrário onde se conserva o Santíssimo Sacramento exclusivamente
para a comunhão dos enfermos e para a comunhão dos fiéis dentro da
celebração da "Liturgia dos Pré-santíficados". O artofórion
tem sempre forma de urna ou de arca; por vezes tem forma de uma pomba,
suspensa sobre o Altar por meio de uma corrente.



Antimênsion e Iletón: O Iletón é um retângulo de seda vermelha
que corresponde ao Corporal do Rito Romano. Em cima do Iletón
se coloca o Antimênsion que é também um pano de seda ou linho das
mesmas proporções do Iletón. O Antimênsion tem estampada em toda a
sua superfície a cena da Descida da Cruz ou a Deposição no túmulo.
Aparecem também outras figuras de Profetas, Evangelistas, Apóstolos,
etc. A Mãe de Deus está sempre presente na cena da Descida da Cruz
ou da Deposição. No verso do Antimênsion está cosido um saquinho que
contém relíquias de santos. Destinado na antiguidade a servir de "Altar
portátil", o Antimênsion hoje fica sempre sobre os Altares, mesmo
os consagrados.



Evangeliário:
é o livro dos Evangelhos para uso litúrgico, em geral de confecção
nobre c artística. Fica dia e noite sobre o Altar em cima do Antiménsion
e do iletón dobrados.



Cruz
para bênçãos:
Costuma permanecer sempre sobre o Altar, deitada,
ao lado do Evangeliário. Em geral é de metal precioso, mas pode ser
também de madeira. A haste vertical possui um cabo para segurar a
cruz na mão. É usada na Liturgia e em outros ofícios divinos para
abençoar o povo.



Ripídia:
São dois leques ou tlabelos de cabo comprido e que levam pintada a
cabeça de um Serafim de seis asas. Durante a Oração Eucarística o
Diácono agita lentamente o ripidion sobre as oblatas consagradas,
querendo com isso significar o bater das asas das legiões angélicas
que "concelebram" com o Sacerdote, e a ação do Espírito
Santo.


Atrás do Altar:



Crucifixo:

Sustentado por um pedestal está uma grande Cruz com a imagem pintada
do Crucificado. Os Russos acrescentam sempre o ícone da Mãe de Deus,
também sustentada por um pedestal.



Candelabro: Diversamente de outras igrejas bizantinas, os eslavos
costumam colocar, em lugar dos castiçais convencionais sobre o Altar,
um grande candelabro de pedestal, atrás do Altar, com sete lamparinas
alimentadas por azeite de oliveira.


Objetos e Utensílios Litúrgicos Sobre o Altar da Prótese





Fig. 4 - ALTAR DA PRÓTESE



1 - Cálice; 2 - Zéon ou Teplotá; 3 - Véu para cobrir
o cálice; 4 - Disco; 5 - Asterisco; 6 - Véu para cobrir o Disco; 7
- Grande véu ou "áer" para cobrir, ao mesmo tempo, cálice
e Disco; 8 - Lança; 9 - Colher; 1O - Vela acesa.



Disco:
É uma patena ampla e possui uma beirada alta; entre os eslavos é comum
que o Disco tenha um pequeno pedestal. O Disco é destinado a conter
o Cordeiro (pão eucarístico) e as partículas de pão para as comemorações
(cfr. o Rito da proskomídia na 1ª parte da Liturgia).



Asterisco
ou Estrela:
é composta de duas lâminas metálicas semi-circulares,
unidas no meio por um parafuso sobre o qual está uma cruzinha e do
qual pende uma estrelinha que nos lembra a estrela que guiou os Reis
Magos até a gruta de Belém. O asterisco serve para preservar as partículas
do contato com o véu que recobre o Disco.



Véus:
são três, dois menores servem para recobrir o cálice e o Disco. O
grande véu, chamado áër cobre tanto o cálice como o Disco. Simboliza,
o áër, a pedra que fechou o sepulcro de Jesus.



Lança:
é uma pequena faca em forma de lança e serve para recortar o pão oferecido
e as partículas necessárias para o sacrifício. Simboliza a lança que
transpassou o lado de Jesus.



Colher:
uma pequena colher, cujo cabo comprido termina em forma de cruzinha,
é usada para distribuir a comunhão aos fiéis. Simboliza a tenaz com
que o Serafim pegou o carvão ardente e tocou os lábios do profeta
Isaías (6,6). O carvão ardente, para os Orientais, é uma figura que
designa a partícula consagrada.



Esponja:
é um pequeno triângulo de esponja prensada. Serve para reunir
as partículas consagradas e tombá-las dentro do cálice. Serve também
para purificar o Disco e as mãos do celebrante de qualquer fragmento
de pão. Este acessório simboliza a esponja com a qual deram de beber
ao Cristo na Cruz.



Prósfora:
é o pão eucarístico utilizado na Liturgia. Conforme o antiqüíssimo
costume oriental o pão da Eucaristia é fermentado e não ázimo como
na tradição ocidental. A prósfora traz impresso na sua parte superior
um selo quadrado onde está inscrita uma cruz com as abreviaturas gregas
IC XC NIKA (= Jesus Cristo Vence). A parte delimitada por esta impressão,
cortada durante o rito da preparação (Proskomídia), é colocada no
Disco na forma de um cubo. Recebe então o nome de Cordeiro: este e
o pão que virá consagrado durame a Liturgia. Corresponde a hóstia
na Missa latina. Outras quatro prósforas são utilizadas para extrair
delas umas partículas em memória da Virgem Mãe de Deus, dos Santos,
dos Vivos e dos Mortos. O pão que sobrar é cortado em pedaços e, após
ter sido abençoado (não consagrado) será distribuído no fim da Liturgia
sob o nome de antídoron.



Zéon
ou Teplotá:
Água quente que, ainda fervendo, será derramada no
cálice após a fração do pão enquanto o Sacerdote pronuncia as palavras:
"Fervor da fé cheia do Espírito Santo". Por extensão, também
o recipiente que contém o zéon recebe o mesmo nome.


Vestes Litúrgicas e Insígnias



Estichárion: longa túnica correspondente à "alva"
latina. O estichárion do Sacerdote tem mangas estreitas, em geral
é de seda e de cores claras. O estichárion usado pelo Diácono e pelos
ministros inferiores tem mangas curtas e amplas. O tecido costuma
ser igual, ou parecido, ao paramental usado no dia; é ornado com galões.



Epitrachílion: é a estola sacerdotal cujos dois lados descem
unidos no peito até quase os pés. É do mesmo tecido dos paramentos
e está ornada com seis cruzinhas.



Orárion: é a estola diaconal: uma longa faixa ornada com várias
cruzes ou com a palavra "Santo" escrita três vezes. Fica
presa por um botão no ombro esquerdo do Diácono, tem uma extremidade
que desce livre pelas costas e a outra é habitualmente segurada pela
mão direita do Diácono.





Faixa: o estichárion e o epitrachilion são segurados e ajustados
na cintura por meio de uma faixa usada como cinto. É do mesmo tecido
dos paramentos e no meio está ornada com uma cruz.



Epimaníkia: são duas sobre-mangas do mesmo tecido dos paramentos,
ornadas com uma cruz. Servem para segurar e prender as mangas do estichárion.



Epigonátion ou Hipogonátion: losango de tecido bordado, usado
pelos bispos e pelos Sacerdotes revestidos de alguma dignidade eclesiástica.
Usa-se a tiracolo, descendo livre até à altura do joelho direito.
Simboliza a espada da Palavra.





Felônion: é a casula oriental que se coloca em cima do estichárion.
O felônion tem, nas costas, uma cruz grega como ornamento e mais embaixo,
uma estrela de oito pontas. Ele simboliza a luz e a força com as quais
Deus envolve o Sacerdote.



Sakkos: os Bispos, em lugar do felônion sacerdotal usam um
paramento chamado sakkos, muito parecido com a dalmática usada pelos
Diáconos latinos.





Mitra ou Coroa: cobre a cabeça dos Bispos nas celebrações pontificais.
Tem forma esférica ou ligeiramente quadrilobada; ricamente bordada,
a coroa tem em cima uma pequena cruz. Entre os russos, além dos bispos,
também Sacerdotes insignidos de alguma honorif1cência, usam a coroa.
Sua origem deriva da coroa usada pelos imperadores bizantinos.



Omofórion: larga faixa que o bispo leva em torno do pescoço.
Ornamentada com cruzes, leva bordada a figura de um cordeiro ou a
imagem do Redentor. Quer simbolizar a ovelha tresmalhada que o Bom
Pastor (Jesus) traz para o aprisco (a Igreja).



Diquirotriquira (palavra composta de: dikirion e trikirion):
são dois pequenos castiçais, um de duas velas e outro de três. O primeiro
simboliza as duas naturezas em Jesus Cristo, o segundo as três pessoas
da Santíssima Trindade. São usados pelo Bispo nas cerimônias pontif1cais.



Báculo pastoral: difere daquele latino pois é mais curto e
termina, no alto, com dois braços formados por duas serpentes que
se defrontam, alusão à prudência com que o pastor deve guiar o seu
rebanho.



Rason
ou Riassa:
é um hábito coral de cor preta. Possui mangas amplas
e os eclesiásticos a usam também para aquelas celebrações onde não
é exigido o uso do estichárion.



Mandyas: ampla capa com a qual se revestem os bispos em ocasião
de uma entrada solene. Também os monges usam um tipo de mandyas, mas
é completamente preta.



Skoufa, Kamilávchion, Klobuk: é uma espécie de chapéu cilíndrico
com o diâmetro superior ligeiramente maior do de baixo. É usado pelo
clero e pelos monges. As diversas formas peculiares dão a cada modelo
um nome diferente. Os monges e outros dignitários usam, por cima do
chapéu, um longo véu preto que cai dobrado pelas costas. Os metropolitas
russos e alguns patriarcas de igrejas ortodoxas, costumam usar o véu
de cor branca.



Cruz peitoral: é usada pelos bispos e por outros dignitários
eclesiásticos. Entre os russos a cruz peitoral é usada por todos os
Sacerdotes indistintamente.





Panaghia ou Engólpion: medalhão com a efígie do Cristo Pantokrátor
ou da Virgem Mãe de Deus (Panaghia). É usado pelos bispos e arcebispos
em número de um ou dois.


Particularidades Cerimoniais



Bênção: Ao abençoar, o Sacerdote coloca o polegar da mão direita
apoiado ao dedo anular, o indicador erguido e os outros dois dedos
ligeiramente inclinados. Esta posição dos dedos representa a abreviação
grega do nome de Jesus Cristo: IC XC.



Como
se faz o sinal da cruz:
Estendem-se unidos os três dedos da mão
direita: polegar, indicador e médio, apoiando os outros dois (anular
e mínimo) sobre a palma da mão. A posição dos três dedos unidos nos
lembra a fé que temos na Santíssima Trindade e os dois dedos unidos
e apoiados na palma da mão nos lembram a fé que confessamos nas duas
naturezas de Cristo: a humana e a divina. Para se benzer, leva-se
a mão assim formada da fronte para o peito e depois, do ombro direito
para o esquerdo. Esta maneira de fazer o sinal da cruz foi costume
geral da Igreja universal até o século XIII, segundo o testemunho
do Papa Inocêncio III (+ 1216) no seu livro "De Sacro Altaris
Mistério". Eis textualmente o que ele diz: "O sinal da cruz
deve-se fazer com três dedos, pois se faz com a invocação da Santíssima
Trindade, de modo que se desça de cima para baixo e da direita para
a esquerda, porque Cristo desceu do Céu para a terra e passou dos
Judeus para os Gentios". (P.M.P.L.F. 217, col. 825).



Metânia: Os orientais não costumam fazer a genuflexão. Em lugar
dela fazem a metânia, que é uma inclinação profunda do corpo acompanhada
pelo sinal da cruz e exprimindo um sentimento de humildade, de adoração
ou de penitência. A Grande Metânia, é uma prostração que se faz ajoelhando-se
e encostando a cabeça até o chão. Esta prostração é reservada aos
dias de penitência, à Grande Quaresma e em determinadas funções litúrgicas.



Como receber a Comunhão: A Santa Comunhão é distribuída aos
fiéis sempre sob as duas Espécies, mediante uma pequena colher com
a qual o Sacerdote pega do cálice uma partícula de Pão consagrado
embebido do precioso Sangue de Cristo. Os fiéis que comungam apresentam-se
em fila, braços cruzados no peito, dizem o próprio nome e, permanecendo
em pé diante do Sacerdote inclinam a cabeça para trás, abrem bem a
boca tendo o cuidado de não colocar a língua para fora.  


O Canto na Liturgia Oriental



Nas ações litúrgicas a profundidade da expressão, o desejo de estar
perto de Deus são representados com extrema clareza no canto.



De per si, na Tradição Oriental, a Missa e as demais ações litúrgicas
são sempre cantadas, mesmo em dia de semana. Hoje diversas comunidades
orientais católicas, por razões pastorais e práticas, adotaram o costume
de ler a Missa. Entre os russos porém, se faz questão de permanecer
fiéis à tradição oriental e a Liturgia é sempre e só cantada. Também
se conserva o uso antiqüíssimo de não fazer uso de instrumentos musicais
pois só a voz dos fiéis é adequada para exprimir a sensação espiritual
e os sentimentos religiosos. Só ela pode formular com palavras aquilo
que brota do mais íntimo do coração do fiel. Na voz se refletem a
alma dos fieis e os sentimentos dos que rezam. A força e o fervor
do canto, a pura naturalidade das vozes podem nos comover profundamente.



Os cantos da Igreja russa são de uma festosidade tocante e de majestosa
beleza. O passado, o pesado fardo do exílio que muitas vezes esta
comunidade de cristãos traz, reforçou ainda mais esta beleza conferindo
aos seus cantos corais uma infinita nostalgia e dando-lhes o resplendor
da esperança e a intensidade de uma fé inabalável.


Estrutura da Divina Liturgia



A forma normal de celebração requer a presença do Diácono. O Sacerdote,
em pé diante do Altar, pronuncia em voz baixa as orações sacerdotais,
enquanto o Diácono, do lado de fora da Iconostase, canta as ektenias
correspondentes (= preces litânicas como a "oração dos fiéis").
A cada pedido ou intercessão o Coro responde: Góspodi, pomilui, ou
Podái Góspodi (= Senhor, piedade; ou Concede, Senhor). Terminada a
ektenia o Sacerdote conclui em voz alta com uma doxologia trinitária
que pode corresponder ao: "Por Nosso Senhor Jesus Cristo..."
e à qual o Coro responde com o seu Amém.



Este esquema repete-se dez vezes durante a Liturgia e se presta muito
para que o povo participe. Quando o Diácono não tem que cantar as
ektenias, entra no Santuário e se coloca à direita do Sacerdote, pronto
a servi-lo.



Se não houver Diácono é o mesmo Sacerdote que canta as ektenias e
as demais exortações do Diácono.



Quando mais Sacerdotes concelebram, todos recitam as preces sacerdotais,
cantando por turno as conclusões trinitárias e, na ausência do Diácono,
se alternam no canto das ektenias.



O papel dos ajudantes é o de levar as tochas e o turíbulo nas duas
procissões: do Evangelho e das Oblatas (Pequena e Grande Entrada),
manter sempre pronto o turíbulo para as incensações, abrir e fechar
o véu das Portas Santas nos momentos apropriados.



Importante é o papel do Leitor o qual, além de cantar a I Leitura
com o seu prokímenon (introdução) e com o Aleluia que precede o Evangelho,
terá também que desempenhar o papel do coro quando este faltasse.



A Divina Liturgia consta de três partes a saber:



1ª - Proskomídia ou Prótese: Após as orações prescritas e a
vestição dos paramentos, o Sacerdote se dirige para o Altar da Prótese
e prepara os santos dons (pão e vinho). No fim cobre os vasos com
os véus e os incensa.



O rito da Proskomídia ou Prótese é um pequeno drama realista muito
condensado que reproduz a imolação do Cordeiro, dando-nos, assim,
um esquema sucinto do Sacrifício que se vai realizar durante a Liturgia.



2ª - Liturgia dos Catecúmenos: No Altar central três orações
sacerdotais, acompanhadas por três ektenias, se alternam com três
antífonas. Representam a espera do Evangelho no Antigo Testamento.
A esta altura realiza-se a procissão da pequena entrada: Jesus Mestre,
simbolizado pelo Evangeliário levado processionalmente, entra no mundo.



Segue o canto dos tropários que correspondem às coletas do dia, comemoram
a festa ou o santo do dia; o Triságio (= hino 'três vezes Santo'),
o Apóstolo (I Leitura da Liturgia da Palavra), precedida e seguida
por alguns versículos bíblicos (prokímenon e Aleluia) e o Evangelho.



Depois do Evangelho canta-se uma grande ektenia ardente, na intenção
de todos, depois uma específica para os Catecúmenos.



A liturgia dos catecúmenos termina com a insistente despedida deles
por parte do Diácono.



3ª - Liturgia dos Fiéis: Inicia logo com o canto de duas ektenias
específicas para eles. Na Grande Entrada o Sacerdote e o Diácono,
precedidos pelos ceroferários e pelo turiferário, levam processionalmente
as oblatas transladando-as do Altar da proposição (Prótese) até o
Altar central (do sacrifício) enquanto o coro canta solenemente o
Hino dos Querubins que corresponde a um canto de ofertório. A procissão
da grande entrada simboliza a entrada no mundo de Jesus, vítima e
Sacerdote.



Segue a ektenia do ofertório, o abraço da paz, a Profissão de Fé,
durante a qual se tira o véu descobrindo os santos dons.



O que vem em seguida é semelhante ao que acontece na Missa da liturgia
romana e em todas as demais: Diálogo entre celebrante e Coro, Prefacio,
o Santo, Consagração do pão e vinho (as palavras são cantadas); Anámnesis
e Epíclese. Depois vêm as grandes comemorações. A Virgem Mãe de Deus
é comemorada solenemente com um hino belíssimo. Recordam-se os vivos
e os mortos. Uma ektenia precede a Oração Dominical (Pai Nosso). O
Cordeiro é partido em quatro partes das quais uma é colocada dentro
do cálice.



Segue o misterioso rito do teplotá (infusão de água quente no cálice),
a Grande Elevação com as palavras: "As coisas santas aos santos."



A Comunhão do Sacerdote, dos demais concelebrantes e do Diácono é
feita de maneira muito misteriosa, com as portas santas fechadas e
a cortina corrida. As portas santas se abrem ao aparecer o Cristo
vivo para ser distribuído aos fiéis com o convite do Diácono ou do
Sacerdote: "Com temor de Deus e com Fé, aproximai-vos!”



Depois da comunhão vêm o canto de ação de graças com uma pequena ektenia,
uma oração que o Sacerdote faz fora do Santuário, a bênção final e
a despedida. Termina-se com a distribuição do antídoron (pão bento).

 
 


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Revisado em:
03/10/05 15:07:03 -0200.





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