
Junho 2004
“Quem dizem os homens que eu sou?” (Mc 8,27)
“Eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12)
A luz é uma das energias mais distintas presentes na natureza e de uma importância decisiva para a vida do homem. Pela luz nós nos orientamos, com a luz nós andamos seguros, não tememos, dificilmente tropeçamos ou tomamos caminho errado. A luz nos aquece. A luz representa vida nova, a certeza de bons frutos, é a luz que gera a vida.
Não é por acaso que Cristo se define a si mesmo como “Luz do mundo” e ainda acrescenta: “Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (cf. Jo 8,12). Cristo é a luz do mundo que conduz os seus para o Pai. Quem segue a Cristo é conduzido pelos caminhos do bem, não anda nas trevas. Quem segue a Cristo tem a luz da vida.
Cristo – Luz do mundo atribui também a nós esse título: “Vós sois a luz do mundo” e nos exorta: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (cf. Mt 5,14-16). Com esta citação praticamente respondemos à questão que eventualmente poderia surgir: o que é ser luz do Mundo?
As boas obras, a vivência do amor cristão, o respeito, o perdão, a caridade, a boa conduta moral, os sacramentos buscados e vividos com seriedade, como valor; enfim, a vida de fé e oração tornam-se para o mundo a luz que ilumina e anima os desesperançados, tornam-se sinais visíveis da Luz de Cristo da qual nós somos portadores.
O que seria a luz da vida? O seguimento a Cristo, não nos deixa na indiferença, mas requer atitudes concretas, muitas vezes sacrifícios, renúncias a si mesmo e ao mundo. E isto tudo não acontece de forma mágica, por acaso. A coragem, o desejo de seguir a Luz, é fruto de um dom de Deus, que nós desenvolvemos e alimentamos, este dom é a FÉ. Somente quem tem fé tem a coragem de seguir Cristo, ou melhor, é a nossa fé traduzida em atitudes que ilumina, que gera vida nova e conduz a Igreja ao Pai.
Assim como ninguém acende uma lamparina para pôr debaixo da cama, mas num lugar que lhe é próprio, assim nós, com a luz da nossa fé estejamos lá onde há escuridão, desespero, ódio, dor, para sermos a luz que anima e ilumina, acolhe e conduz.
Questões para refletir:
- Como sinto a Luz de Cristo em minha vida? É ele que me guia?
- Com que intensidade brilha a minha luz ou como vivo a minha fé?
- Sinto essa responsabilidade de ser portador da Luz de Cristo ou vivo na indiferença?
- Como alimento a minha fé para que ela persista em mim?
Ser Humano: encontro de pessoas Editorial)
Desde o início da nossa vida, a cada contato com outras pessoas, damos forma e figura a nossa fisionomia, ao nosso caráter, formamos a nossa personalidade. É no encontro de um eu com outro eu que o indivíduo descobre-se como pessoa humana, que sente, fala, sorri, chora, se comunica, etc.
O contato com as pessoas é fundamental para a formação da personalidade e da realização enquanto vivemos no mundo em busca da felicidade e alegria de viver. Isto requer que ampliemos os nossos horizontes de relações com pessoas de diversas culturas e mentalidades para moldarmos a nossa personalidade. É por isso que precisamos do contato do humano com o humano.
Observa-se na sociedade moderna que muitas pessoas se isolam e consequentemente sofrem de solidão. Por outro lado, o progresso humano tornou possível o contato com pessoas de diversas partes do mundo ao mesmo tempo, porém virtualmente de tal maneira que pode-se estar perto de quem está longe e longe de quem está perto. Parece irônico, mas isto pode levar a pessoa ao isolamento. Muitos se vangloriam da capacidade de viver só, de ser independente, de não precisar de companhia, ajuda, carinho, achando que isto é poder. Porém, enganam-se, pois sendo humanos necessitamos dos outros e principalmente precisamos de afeto, carinho, e sentimos muito a falta da presença de outras pessoas em nossa vida.
A realização e a felicidade humana passa por relações concretas de amizades. A felicidade é fruto da comunicação, implica em compartilharmos experiências de vida, aventurar-se ao diálogo e a amizade e ao amor. Naturalmente que todo o progresso é muito bom e a comunicação hoje é rápida e eficiente, porém não substitui a necessidade que temos de relacionar-se. É próprio da natureza humana a necessidade da presença de outras pessoas na sua vida. Por isso, diante deste processo comunicativo, temos que descobrir o valor dos centros comunitários, como lugares de encontros de pessoas que buscam a felicidade e a alegria de viver. Que Jesus Cristo, o Amigo que nos ama, esteja conosco a cada momento de nossas vidas.
Pão da Vida
“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome,
e o que crê em mim nunca mais terá sede”. (Jo 6, 35)
Todos nós necessitamos de alimento para que nosso corpo continue com vida, para sobreviver. Sabemos que se não nos alimentarmos, pouco a pouco enfranqueceremos podendo chegar até a morte. Precisamos e trabalhamos pelo pão de cada dia para saciar nossa fome.
Mesmo com toda a importância que o alimento possui para nossa vida Jesus nos pede que “não trabalhemos pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna”(Cf. Jo 6, 27). Ele utiliza o significado simbólico que possui o alimento, o pão, e anuncia um pão que vem do céu. Cristo é que dá sua vida ao mundo. Há uma perfeita identidade entre o “pão descido do céu” e a pessoa de Jesus Cristo. “Eu sou o pão descido do céu” (Cf. Jo 6, 32 ss.).
Jesus indica que veio ao mundo para atender as necessidades essenciais do homem mediante sua revelação e ensinamento (saciar verdadeiramente a fome espiritual). No entanto, Jesus é apresentado como o pão, como o salvador que desce do céu e se revela como alimento, fonte de vida eterna. Cristo é a sua própria sabedoria descida do céu para ensinar aos homens o caminho da vida.
Não devemos apenas conhecer, seguir a Cristo, não basta simplesmente aderir a pessoa de Jesus Cristo através da fé na sua Palavra, mas de comer a carne e beber o sangue do Filho do Homem (Jo 6, 53). Na passagem “Este é o pão do céu. Quem come este pão viverá eternamente”.
É importante considerar a dimensão simbólica do alimento, pois o homem para sobreviver o procura no seu dia-a-dia. No alimento o homem reconhece o dom de Deus, que suscita nele ação de graças (agradecimento). Através da alimentação a pessoa passa pela experiência da dependência. Alimentar-se significa, portanto, depender de uma realidade exterior a si mesmo. Assim, ao participar da eucaristia o crente esta comendo o corpo e bebendo o sangue de Cristo, faz com isso, a experiência de uma dependência de construção em relação ao doador da vida, Jesus Cristo.
Na última preparação para Páscoa, na reflexão proferida “O amor que nasce da Cruz”, entre outros o ponto que mais nos tocou foi sobre, o Cristo abandonado.
O sentimento de abandono é real e freqüente em nossas vidas, o abandono dos amigos, da comunidade, do namorado, enfim, são inúmeras as situações em que sentimos o abandono. E até muitas vezes vemos pessoas ou até mesmo nós, em momentos de dificuldade sentirem-se abandonadas até por Deus. Porém, nunca paramos para pensar que Jesus sentiu-se abandonado pelas pessoas que o amavam e seguiam. E até sentiu-se abandonado pelo Pai e exclamou: “Meu Pai meu Pai, Porque me abandonaste”.
Hoje me dia, as pessoas continuam abandonado Jesus deixando de lado Ele e o que Ele nos ensinou.
Nós defendemos o nosso time, ator, novela, mas é difícil defender Jesus no meio de nossos amigos, é difícil até falar sobre Ele. Muitas vezes passamos o dia sem nos lembrarmos Dele. Lembramos do trabalho, dos amigos, das contas que temos, mas e as dívidas com Deus nós nos lembramos? Não nos referimos aos grandes feitos, nem de grandes promessas e sim das pequenas dívidas que temos com Ele.
Hoje em dia Ele não está apenas sendo abandonado, mas morre um pouco todos os dias. Há crianças passando fome, catando lixo, trabalhando. Não sabem o que é a felicidade de ser simplesmente criança. Passam a vida sem saber o que é fé, quem é Deus, sem sentir o alívio e a esperança que Jesus nos traz.
Cabe a nós jovens, e claro a humanidade fazer com que Jesus ressuscite e traga luz para a escuridão que é a vida destas pessoas.
Clau e Cris
JUUC