Editorial

 

Como advento da modernidade e, sobretudo, com o progresso científico-tecnológico em todos os setores, a humanidade, tomada de encanto por essas maravilhas, veio a sofrer sérias conseqüências. Isso fez com que o homem fosse levado ao vazio espiritual e ao comodismo perante os problemas das outras pessoas, com tanta intensidade, que o outro, a alteridade, parece não ter mais sentido para nós, tanto que geralmente lembramos dos outros quando necessitamos de ajuda ou quando necessitamos da sua solidariedade. O outro passou a exercer em nós um sentido de utilidade e os relacionamentos entre os seres humanos foram reduzidos a um utilitarismo imediato.

Mas, em nossa vida cristã, a caridade, quando colocada em ato, isto é, quando praticada, transforma este vazio que existe no relacionamento humano. A caridade nos leva a amarmos a nós mesmos e aos outros e, além disso, ela nos mostra a necessidade e o valor do nosso relacionamento pessoal e comunitário com demais irmãos. Ela é o caminho da paz e da solidariedade entre os homens, e também o caminho que nos conduz a Jesus Cristo, pois Ele que praticou e nos ensinou a praticar a verdadeira caridade, doando sua vida em prol da humanidade. Assim, em nossa peregrinação, não importa o que fazemos ou deixamos de fazer, mas sim, o quanto amamos.

A caridade é a lei divina e natural. Lógico pois, que também constitua preceito na legislação humana. Das chamadas virtudes teologais, a fé tem o poder de “remover montanhas”. A esperança é o bálsamo dos aflitos. Contudo, a caridade está acima de tudo, ela é o farol que indica a felicidade.

Neste espírito de caridade, que é a mais alta das virtudes e que deve ser a chave de conduta na vida de todo cristão, principalmente em referência a nós mesmos, ao próximo e a Deus, somos convidados a meditar sobre o nosso relacionamento cristão com Deus, com o próximo e consigo mesmos. Pois, somente quando nós, crianças, jovens e adultos, descobrirmos o valor da caridade, do amor, transformaremos a sociedade numa moradia mais justa para todos. Com este espírito, meditemos as palavras que o “Caminho Novo” apresenta neste mês de julho, mês da amizade e da caridade.

 

 

Há amizades e “amizades”

Nós, seres humanos, possuímos um coração feito para amar, por isso procuramos pessoas para nos comunicar, nos relacionar, partilhar as nossas vidas, as nossas vitórias e as nossas derrotas.

Por natureza, nós criaturas de Deus, somos sociais e procuramos sempre viver em sociedade, por isso sentimos falta dos outros. Ao relacionarmo-nos com as pessoas, descobrimos nelas inclinações semelhantes às nossas, qualidades complementares, percebemos nas outras pessoas algo que nos falta.

Um misterioso atrativo leva a preferir a companhia de alguém, deixando de lado outras pessoas. Teremos gosto de falar com esta pessoa, divertir-se com ela e trabalhar ao seu lado e assim por diante. É a simpatia que entra em ação. 

Ao falar de amizades, devemos observar sempre de quê amizades falamos, pois existem amizades verdadeiras, aquelas dignas de serem cultivadas, mas também existem amizades falsas, isto é, amizades aparentes, que buscam somente benefícios para si próprios. Estas falsas amizades são as que predominam nelas somente o espírito utilitário, são amizades mesquinhas que fundam-se sobre interesses materiais. As pessoas são vistas como amigas unicamente porque nos ajudam a fazer algo, a encobrir ou organizar as nossas faltas, os nossos erros. Considera-se aqui outras pessoas como fonte de utilidade ou prazer. Sabemos muito bem que essas amizades nos afastam de Deus, acorrentando-nos à terra, impossibilitando-nos a consecução de qualquer ideal nobre e sobretudo a glória eterna, que é o ponto mais alto do amor.

Mas, em contraposição, existem amizades verdadeiras e fiéis que são raras como os tesouros. São amizades duradouras, que permanecem não só nos momentos de alegrias e felicidades pelos quais passamos.

Pessoas verdadeiramente amigas são aquelas que, ocultas, sempre torcem e lutam por nós e,  por nos amar, têm coragem de nos apontar o que é mais certo. São aquelas pessoas que, seja nas alegrias, seja nas tristezas, estão sempre prontas a nos confortar, a nos alegrar, a sorrir e fazer-nos sorrir.

E, finalmente, não podemos deixar de lado aquele que nos ensinou a cultivar a  mais bela e fiel das amizades, isto é, Jesus Cristo que por ser o primeiro amigo, isto é, o Amigo dos amigos, nos mostrou por que caminhos devemos buscar e cultivar a mais  pura e bela das amizades, convidando-nos para com dividir as nossas vidas, as nossas tristezas, as nossas alegrias e felicidades com ele. Eternamente felizes seremos se cultivarmos uma amizade profunda com Jesus Cristo, somente assim saberemos valorizar as pessoas  como criaturas de Deus. Pois se fomos criados à  sua imagem e semelhança, não devemos cultivar as inimizades e sim, a convite de Jesus Cristo, devemos amarmo-nos mutuamente e sem distinção.

                Mario Marinhuk,OSBM

 

SACRAMENTO DA  CONFISSÃO

 

Em nossa vida frequentemente, deparamo-nos com tentações contra a pureza, que não podem ser vencidas a não ser pela fuga. A pureza do coração é coisa tão delicada, que só com grande cuidado pode ser conservada. Para não perder este precioso tesouro, é preciso que fujamos de todas as ocasiões, que colocam a virtude da pureza em perigo. É preciso que renunciemos aos prazeres do mundo, não concedendo liberdade às nossas más inclinações, como a luxúria, a ganância, o apego aos bens materiais, etc.

Jesus, conhecendo a nossa fraqueza, foi extremamente bondoso ao instituir o sacramento da confissão, conferindo aos apóstolos e sacerdotes da Igreja, o poder de perdoar pecados. Aproximando-se ao confessionário,  temos a plena convicção do perdão. Infeliz do homem que entrega ao mundo os seus melhores dias da mocidade, reservando a Deus apenas o final de sua vida. Ao fim da peregrinação, cada um de nós terá de se apresentar ao Criador. Que será de nós se lá chegarmos com a alma imunda e de mãos vazias?  Aproveitemos, portanto,  a graça da confissão  enquanto ainda caminhamos neste mundo.

Confessar-se é simplesmente reconhecer-se fraco e pequeno diante da grandeza de Deus e humildemente pedir perdão, fazer a conversão, dando um novo rumo para a nossa vida, Porque não basta arrepender-se: é necessário mudar de rumo, tomar a um novo caminho, deixar o homem velho e revestir-se da graça do homem novo que nasce em Jesus Cristo, que pela sua morte e ressurreição chama à vida nova todos aqueles que estão mortos pelo pecado. Nós que fomos batizados em Cristo nos revestimos e com Cristo ressuscitamos para essa vida nova. Porém, para que esta passagem aconteça precisamos deixar que a graça salvífica aja em nós.

O seguimento a Cristo exige sacrifícios, renúncias, mas, por outro lado, nos traz a consolação, pois o próprio Cristo nos diz: ”Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois aquele que quizer salvar a sua vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la (Mt 16,24-25). Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e eu vos darei descanso. … aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, …(Mt,11,28-29”. Com estas palavras Cristo se apresenta à humanidade, não como um carrasco, mas como alguém que ama, pois Ele mesmo nos afirma: “Eu  não vim para condenar, mas para a salvar o mundo ”. A nossa esperança mora nele e Ele nos deixou todas as condições necessárias para nos salvar. Ele nos deixou os seus preceitos, que se sintetizam, se resumem no amor, pois Ele mesmo disse: “Uma coisa vos peço, amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Instituiu os sacramentos e dentre eles, conhecendo a fraqueza humana, ele instituiu o sacramento da reconciliação, confissão. E este é um elemento que completa o nosso processo de conversão. É o retorno do filho arrependido à casa do Pai. O encontro da misericórdia do Pai, que está sempre a espera de seus filhos O Catecismo da Igreja Católica nos recomenda: “Todo fiel, depois de ter chegado à idade da discrição, é obrigado confessar fielmente seus pecados graves, pelo menos uma vez ao ano” (CIC. 1457). Também o CIC nos diz: “aquele que tem consciência de ter cometido um pecado grave (infração da lei de Deus) não deve receber a sagrada comunhão, mesmo que disto esteja profundamente arrependido”. Por que está escrito “Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, para que este não sirva para juízo ou condenação, mas de cura à alma e o corpo”.

A prática da confissão deixou de ser para muitos um elemento de graça e salvação, porque as pessoas têm medo do sacerdote, mas na pessoa do sacerdote age a força divina; não é ele com as suas fraquezas e limitações que vai nos redimir dos pecados, mas é através do ministério que lhe é concedido pela Igreja que ele se diferencia de nós e pelo qual tem o poder de exercer o sacramento da misericórdia de Deus. “Em verdade em verdade vos digo: tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu e tudo quanto desligardes na terra será será desligado no céu” (Mt18,18). O sacerdote não nos perdoa os pecados, Deus perdoa, o sacerdote, como ministro de Deus nos absolve dos pecados. A confissão diretamente a Deus, é um conceito protestante e contra o ensinamento da Igreja Católica e da Bíblia Sagrada, na qual o apostolo Tiago nos afirma “Confessai uns aos outros os vossos pecados”.

Converter-se para o cristão é compreender o caminho do seguimento de Jesus. É libertar-se de todas as amarras do mundo que estejam nos atrapalhando, impedindo o nosso progresso rumo à vida nova. Tomar a cruz do nosso dia a dia seja na condição que for, sempre se há uma forma de seguir a Cristo e propagar a sua verdade. “Eu sou o caminho a verdade e a vida”, e quem não anda pelo caminho de Cristo, anda nas trevas, por que Ele é quem nos ilumina e guia “Eu sou a luz do mundo”.

 

 

Para fazer uma boa confissão é preciso: 

1. Exame de consciência e ato de contrição, ou seja,  rezar e refletir  sobre seus  pecados. 

2. Arrependimento sincero pelas ofensas feitas contra Deus e os irmãos. 

3. Firme  propósito de não mais pecar. 

4. Confessar os pecados aos Sacerdote

5.  Cumprir  a  penitência  imposta pelo padre ao término da confissão.  

 

 

COMO CONFESSAR?

 

       O orgulho nos leva  à falsa convicção de que não temos pecados.  Devemos ter a humildade de reconhecer nossas  faltas e de confessá-las ao sacerdote. Não raras vezes encontrarmos dificuldades em nos recordarmos dos pecados cometidos. Por ser um fato frequente,  leia  os Mandamentos da Lei de Deus e siga o roteiro abaixo descrito, que servirá como um verdadeiro auxílio para revisão de vida: 

 

EXAME DE CONSCIÊNCIA (com base nos 10                                        Mandamentos)

 

1º.  Amar a Deus sobre todas as coisas.

- Tive vergonha de testemunhar meu amor a Deus?

- Fui desleixado e não cultivei minha união com Deus? Não fiz a leitura e meditação da Palavra de Deus?- Revoltei-me contra Deus nas horas difíceis? Alimentei superstições?

- Durante o dia nunca ou raramente dirijo o pensamento a Deus? Fiz a oração diária?

- Duvidei da presença de Deus em minha vida?  Alimentei minha fé?

- Fui fiel à oração junto com minha esposa-esposo e filhos? 

 

2º. Não tomar o nome de Deus em vão. 

- Jurei falsamente ou desnecessariamente?

- Usei o nome de Deus ou símbolos religiosos sem o devido respeito? 

- Busquei a Deus e a Igreja somente nas  horas de necessidade?  

 

3º.  Guardar os Domingos e dias Santos.

- Faltei à Missa aos domingos e dias santos por preguiça, por conveniência?

- Vivi meu  domingo somente para comer, beber, dormir e ver televisão?

- Entreguei-me ao trabalho aos domingos, sem necessidade?

- Obriguei meus funcionários ao trabalho aos domingos?

- Usei dos domingos para estar com minha família,  para visitar alguém?   

 

4º.  Honrar pai e mãe.

- Agredi meu pai ou minha mãe com palavras, gestos, atitudes?

- Cuidei deles na hora da doença ou na velhice?

- Procurei ser compreensivo com eles?

- Deixei passar longo tempo sem visitá-los?

- Por orgulho, tive vergonha de meus pais?   

 5º.  Não matar.

- Pratiquei o aborto,  fui cúmplice ou apoiei  alguém que abortou?

- Cuidei da minha saúde ou da saúde das pessoas que dependem de mim?

- Feri as pessoas  com olhar,  ou as agredi fisicamente ou grosseiramente?

- Alimentei desejos de vingança, ódio, revoltas e desejei mal aos outros?

- Neguei o perdão a alguém?

- Gastei ao menos um pouquinho de meu dinheiro, para ajudar aos necessitados?

- Pensei ou tentei o suicídio?

- Fui racista e preconceituoso, ou não combati como devia o racismo e os preconceitos? 

 

6º.  Não pecar contra a castidade.

- Descuidei de lutar pela minha santificação?

- Disciplinei os  meus sentidos, instintos, vontade?

- Dei espaço à sensualidade, erotismo, pornografia?

-Gastei tempo e dinheiro com filmes, revistas, espetáculos e sites indecorosos da internet?

- Caí na masturbação?

- Assediei alguma pessoa, induzi alguém ao pecado?

- Vesti-me de maneira provocante?

- Entrei na casa do Senhor com trajes inadequados?

- Fui malicioso em minhas relações de  amizade?  

 

 

7º. Não furtar.

- Aceitei  ou comprei algo que foi roubado?

- Danifiquei bens públicos ou de outras pessoas?

- Desperdicei dinheiro em jogos, bebidas e diversões desonestas?

- Prejudiquei alguém, usando de pesos  e medidas  falsas, enganando nas mercadorias e negócios?

- Explorei alguma pessoa ou não paguei o justo salário?

- Não administrei direito meus  bens e deixei de pagar minhas dívidas? 

  8º.  Não levantar falso testemunho.

- Envolvi-me em mentiras, difamações, calúnias, maus comentários,  fiz mau juízo dos  outros?

-  Fingi doença  ou piedade  para enganar os outros?

- Desprezei pessoas  simples, pobres e idosas,

deficientes físicos ou mentais?

- Dei  maus exemplos contra a religião, na família, na escola, na rua, no trabalho?

  9º. Não cobiçar a mulher do próximo.

- Alimentei fantasias desonestas, envolvendo outras pessoas?

- Deixei de valorizar meu cônjuge?

- Pratiquei adultério (uniões sexuais antes ou fora do casamento)?

- Soube desenvolver um namoro maduro e responsável, enganando a (o) namorada (o)?

- Fugi das ocasiões ou lugares próximos do pecado?

 

10º.  Não cobiçar as coisas alheias.

- Tenho sido invejoso?

- Violei segredos, usei de mentiras, ou não tenho combatido o egoísmo?

- Sou dominador, não aceitando a opinião ou sucesso dos outros?

- Fico descontente ou com raiva diante da prosperidade  material e  financeira de meu próximo?

 

Métodio Techy, OSBM.

 

O sentido do Grupo de Jovens

 

        

         Antes de tudo, é importante lembrar no que diz respeito a Grupo de Jovens, que estes existem não para formar números de indivíduos apenas, mas existem para realizar aqueles jovens que procuram identificar-se com a Igreja, com o evangelho de Jesus Cristo, com os colegas e com eles mesmos. E, cada um desses jovens procura a sua realização segundo a sua personalidade e também segundo a sua meneira de ver, de sentir e de encarar as coisas. Portanto, a existência do grupo de jovens em cada comunidade, com finalidade de bem preparar os jovens, jamais deve deixar de existir porque a sua importância é fundamental para a formação religiosa e cristã, bem como para o comprometimento com o Evangelho.

         Já, quanto ao sentido do grupo de jovens, pode-se dizer que existem vários, tanto no sentido geral como também no sentido particutido geral como também no sentido particular. O sentido geral do Grupo de Jovens se resume no compartilhar o evangelho de Jesus Cristo, a oração, a amizade, as idéias de cada membro do grupo, os seus sonhos, as dificuldades, as ações do grupo, seu desenvolvimento e os seus resultados obtidos no decorrer do período. Está aqui a grande oportunidade do jovem mostrar que ele é alguém que tem algo a compartilhar e a condividir para o bem da Igreja e para o bem da comunidade. O sentido particular do grupo está no promover o jovem a descobrir-se a si mesmo, a outro e a Deus no seu sentido mais profundo e verdadeiro. Com tal concepção, você jovem, que já está inserido no seu grupo, está lutando para que este atinja os seus objetivos, deve, além de tudo, voltar os olhos para a tua comunidade e ver qual jovem ainda está  fora do teu grupo e, a partir disso, tentar, de alguma forma, inserí-lo e motivá-lo para que ele possa fazer parte dessa riqueza tão imensa e tão importante que é o grupo de jovens. Saiba jovem, que você tem o potencial dentro da tua comunidade em desenvolver grandes projetos, grande pastoral e grande evangelização. Para isto, basta força de vontade e ação concreta. Você jovem é a esperança da Igreja e da sociedade, apenas coloque em prática as palavras do Papa dirigidas a todos os jovens do mundo inteiro: “Sede testemunhos intrépidas de vossa fé, no mundo de hoje”.(João Paulo II).