
Editorial
Prezado leitor! Estamos chegando ao fim de mais um ano. Convido os Grupos de Jovens fazerem uma avaliação do trabalho que vem sendo realizado nas comunidades a divisarem metas e perspectivas para o novo ano. Sempre é positivo rever nossas ações e buscar novas metas.
No tocante à Pastoral da Juventude realizamos este ano algumas atividades
(Vigília, Encontro, Retiro etc) com boa participação dos jovens e com bom
aproveitamento. Verificou-se o interesse dos jovens por essas atividades, a
valorização do cultivo das amizades, trocas de experiências entre
todos.
Neste ano também iniciamos a publicação do Caminho Novo. Penso que em parte atingimos o nosso objetivo, fornecer algum subsídio para as reuniões dos grupos. Porém estamos conscientes que precisamos melhorar mais, para que a mensagem de Cristo realmente atinja os jovens. Para isso esperamos contar com vossa colaboração. Entrem em contato conosco e façam vossas considerações.
Não raro também percebemos uma certo grau de evasão dos jovens com relação a participação nos Grupos ou mesmo na Igreja. Isto nos faz questionar sobre o que esta ocorrendo, o que esta saindo errado ou o que deve ser feito. Bem sabemos que a vida na cidade oferece inúmeras atividades para serem realizadas, que muitas destas acabam “tomando” o tempo que haveria de ser dedicado ao cultivo espiritual. Não se trata simplesmente de trocar momentos de diversão por orações ou vice versa. A questão primordial, penso que seja realmente o valor e importância que os bens espirituais possuem para a minha vida. Se algo tem sentido para a minha vida, terá prioridade sobre as demais.
O cultivo interior precisa partir de uma motivação sincera, livre e consciente, de alguém que procura algo mais nobre para a sua vida. Buscar primeiro o Reino de Deus, as demais coisas virão por acréscimo.
Renovemos a nossa esperança neste Natal. Que o menino Jesus nasça novamente em nossos corações e com Ele cresçamos também nós. Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos!
1º de Janeiro – Dia de São Basílio
Magno
Dia da Ordem Basiliana
O dia 1º de jeneiro é uma especial, festejada por todos, é o dia em que todos se saúdam, desejando um ano próspero, cheio de realizações e felicidade. Este é o dia do Ano Novo.
Para nós,
membros da Ordem Basiliana, é um dia mais especial
ainda, pois neste dia festejamos o dia do nosso fundador, São Basílio.
Vale nos esta oportunidade para conhecermos um pouco de quem foi São
Basílio e como é a vida dos que fazem o propósito de seguir as orientações deste
grande santo.
A Ordem Basiliana é considerada como a mais antiga comunidade de vida religiosa existente no mundo. A vivência e a prática da espiritualidade desta comunidade fundamenta-se no ensinamento e no projeto de vida cristã comunitária de São Basílio Magno (330-379), um Padre grego, dos mais destacados da Antiguidade cristã e um dos maiores doutores da Igreja de toda a história.
No tempo em que viveu São Basílio, as pessoas buscavam um estilo de vida mais de oração e penitência, em completa separação do mundo. Eram os “anacoretas”: esses monges retiravam-se para o deserto ou para as cavernas nos lugares distantes e lá viviam sozinhos, rezando e jejuando. São Basílio visitou esses monges e achou que tal estilo de vida não era apropriado para a vivência do amor e a exemplo das primeiras comunidades cristãs institui a vida comunitária, escrevendo as regras monásticas que serviram de base para praticamente todas as Ordens.
A vida religiosa segundo o
ideal de São Basílio, que se encontra presente em diversos lugares do Oriente,
adquiriu um caráter próprio nas terras ucranianas. No séc. XVII, dois grandes
personagens da Igreja ucraniana, o Bispo metropolita
José Benjamin Rutskei e São Josafá, fizeram uma reestruturação da Ordem Basiliana, dando-lhe uma orientação particular e
configurando-a como um ramo distinto da família basiliana, que por isso recebeu a denominação de “Ordem
Basiliana de São Josafá”.
A partir destes três personagens caracterizou-se o carisma da Ordem:
· Comunidade:
objetivo de São Basílio que propunha viver a vida cristã em partilha e
comunhão de bens e dons, procurando recriar o ideal da comunidade cristã
inicial, onde havia “uma só alma e um só espírito”.
· União: ideal de São
Josafá, este morreu lutando pela união entre as
igrejas e esta passou a ser também uma meta da Ordem – o
ecumenismo.
· Missão: ideal de
José Rutskei que expressa a dimensão eclesial da
Ordem: ela pretende ser um instrumento da Igreja, idôneo e fiel, no serviço da
evangelização.
No Brasil o primeiro basiliano a desembarcar foi o Pe. Silvestre Kizema, em junho de 1897. Depois dele vieram muitos outros acompanhando o povo que emigrava da Ucrânia para o Brasil.
Após estes mais de 100 anos a comunidade basiliana cresceu, tornou-se Província e conta hoje com 115 membros, muitos deles trabalhando até em outros países.
No Brasil, os basilianos continuam a desempenhar sua atuação preferencial
no meio étnico ucraniano disperso na região Sul. Sua expressão cristã e
litúrgica é o rito bizantino-ucraniano e seu trabalho caracteriza-se pela ação
pastoral em paróquias, promoção de missões e atividades educacionais em suas
casas de formação.
Demonstrando
amor
Um menino
perguntou à sua mãe enquanto olhava para o céu:
“Mamãe, Deus está lá em
cima?”
Quando ela garantiu que sim, ele
fez outra pergunta:
“Será que ele não podia colocar a
cabeça pra fora só um pouquinho? Só para nós vermos como ele é?”
Não é verdade que muitas vezes nós temos o mesmo desejo que aquele
menino expressou de uma forma tão simples e
verdadeira? Existem momentos na vida em que gostaríamos de ver, tocar e ouvir a
voz de Deus como se ele fosse de carne e osso.
O que o menino não entendia é que Deus já fez mais do que “colocar a
cabeça para fora só um pouquinho”. Enviando Jesus ao mundo ele revelou-se
completamente! Deus fez mais do que colocar a cabeça para fora do céu, ele veio
pessoalmente do Céu à Terra em forma de homem. A Bíblia
nos diz que “Jesus era Deus e se manifestou na carne”
O próprio Jesus disse isso claramente quando conversava com Filipe quando
afirmou:
“Quem me vê
vê também ao Pai”.
Os teólogos chamam isso de
encarnação. Deus assumiu a forma humana para nos contar sobre o seu
amor.
Estas são as boas novas do Natal: Deus Ele veio ao mundo nasceu de uma virgem. Todos os atributos do Deus infinito estavam no bebê que Maria embalou na manjedoura. Ele era a imagem do Deus invisível, aquele por meio de quem todas as coisas foram criadas e por meio de quem todas as coisas subsistem.
Quando pararmos para celebrar o nascimento de Jesus, lembremo-nos de quem ele é. No Natal celebramos Deus vindo até nós para mostrar o seu grande amor! “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós sendo nós ainda pecadores.”
Celebre o Natal, nascimento de Cristo, agradecendo a Deus tamanha prova de amor!
Imigração Ucraniana no
Brasil (3)
Durante a viagem ao Brasil, demorada, em navios sob péssimas condições, falta de alimentação e acomodação, os imigrantes imaginavam a nova pátria que encontrariam: um lugar maravilhoso, uma terra de fartura e felicidade, segundo o que diziam os agentes navais e a propaganda imigratória governamental. Porém, quando aqui chegaram, perceberam, logo de início, que foram enganados e que a realidade era outra, com muitos desafios a serem enfrentados.
Desembarcando no Brasil, os imigrantes depararam-se com matas fechadas e animais ferozes que nela habitavam, falta de estradas ou caminhos e carência de ferramentas e orientação quanto a técnicas de trabalho. Depois de fugir das perseguições políticas e religiosas, da guerra, da dominação estrangeira, agora precisavam enfrentar ataques dos índios, doenças, miséria e até fome que, não raro, os assolava. A assistência do governo se limitava ao pagamento de transportes marítimos e terrestres até ao destino definitivo, à demarcação de terras e provimento de alimentos para alguns dias apenas. Também encontraram dificuldades quanto à língua, pois não podiam comunicar-se verbalmente com as poucas pessoas que residiam nos arredores e manter a própria língua tornava-se um desafio.
Aos poucos essas dificuldades foram sendo superadas e é nesse contexto que a moral da esperança e a fé em Deus eram as principais, ou melhor, as únicas bases de luta e coragem para enfrentar estas situações. A presença da Igreja tornou-se imprescindível e, em 1896, a pedido dos habitantes ucranianos que aqui residiam, chegam dois sacerdotes da Ucrânia: Pe. Nicolau Michailevicz e Pe. Nikon Rozdolskiy, da Arquidiocese de Lviv.
Com força de vontade e persistência, foram conquistando o seu espaço, construindo as casas, constituindo comunidades, clubes, associações, bibliotecas, igrejas, escolas, museus, preservando assim as tradições e os costumes de seu país originário, pelo qual demonstravam apreço e amor. Organizavam estes centros, mantendo-se fiéis e leais à cultura que os identificava.
Contudo, os
imigrantes e os descendentes ucranianos são gratos a este país pelo acolhimento,
pela liberdade de poderem organizar-se e pela liberdade de exercerem sua língua,
seus costumes, sua religiosidade. Não resta dúvida de que os ucranianos, nos
seus diversos ofícios, contribuíram bastante para
o progresso do país.
Numa determinada floresta havia 3 leões. Um dia o macaco, representante eleito dos animais súditos, fez uma reunião com toda a bicharada da floresta e disse: - Nós, os animais, sabemos que o leão é o rei dos animais, mas há uma dúvida no ar: existem 3 leões fortes. Ora, a qual deles nós devemos prestar homenagem? Quem, dentre eles, deverá ser o nosso rei?
Os 3 leões souberam da reunião e comentaram entre si:
- É verdade, a preocupação da bicharada faz sentido, uma floresta não pode ter 3 reis, precisamos saber qual de nós será o escolhido. Mas como descobrir ?
Essa era a grande questão: lutar entre si eles não queriam, pois eram muito amigos. O impasse estava formado.
De novo, todos os animais se reuniram para discutir uma solução para o caso. Após discutirem tiveram um a idéia.
O macaco se encontrou com os 3 felinos e contou o que eles decidiram:
- Bem, senhores leões, encontramos uma solução desafiadora para o problema A solução está na Montanha Difícil.
- Montanha Difícil ? Como assim ?
- É simples, ponderou o macaco.
Decidimos que vocês 3 deverão escalar a Montanha Difícil.
O que atingir o pico primeiro será consagrado o rei dos reis. A Montanha Difícil era a mais alta entre todas naquela imensa floresta. O desafio foi aceito.
No dia combinado, milhares de animais cercaram a Montanha para assistir a grande escalada. O primeiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O segundo tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O terceiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
Os animais estavam curiosos e impacientes, afinal, qual deles seria o rei, uma vez que os 3 foram derrotados ?
Foi nesse momento que uma águia sábia, idosa na idade e grande em sabedoria, pediu a palavra: - Eu sei quem deve ser o rei!!! Todos os animais fizeram um silêncio de grande expectativa.
- A senhora sabe, mas como? Todos gritaram para a Águia.
- É simples, - confessou a sábia águia, - eu estava voando entre eles, bem de perto e, quando eles voltaram fracassados para o vale, eu escutei o que cada um deles disse para a montanha. O primeiro leão disse: - Montanha, você me venceu! O segundo leão disse: - Montanha, você me venceu! O terceiro leão também disse: - Montanha, você me venceu, por enquanto! Mas você, montanha, já atingiu seu tamanho final, e eu ainda estou crescendo. - A diferença, - completou a águia, - é que o terceiro leão teve uma atitude de vencedor diante da derrota e quem pensa assim é maior que seu problema: é rei de si mesmo, está preparado para ser rei dos outros. Os animais da floresta aplaudiram entusiasticamente ao terceiro leão que foi coroado rei entre os reis.
PARA REFLETIR:
Não importa o tamanho de seus problemas ou dificuldades que você tenha; seus problemas, pelo menos na maioria das vezes, já atingiram o clímax, já estão no nível máximo - mas você não.
Você ainda está crescendo.
Você é maior que todos os seus problemas juntos.
Você ainda não chegou ao limite de seu potencial e performance.
A Montanha das Dificuldades tem tamanho fixo, limitado E, lembrem daquele ditado:
“NÃO DIGA A DEUS QUE VOCÊ TEM UM
GRANDE
PROBLEMA, MAS DIGA AO PROBLEMA QUE
VOCÊ TEM UM GRANDE DEUS.”
Vivemos hoje num mundo globalizado, marcado pelo individualismo, onde as regras de vida e as normas de conduta não têm mais valor objetivo. Tudo depende da subjetividade de cada um; o que é melhor para mim, o que mais me satisfaz, isso devo fazer. O importante é que meus desejos sejam realizados. A maneira como vou realizá-los pouco importa. Importante que eu me sinta bem, o outro que se ‘dane’. As estruturas engolem o ser humano, já não realizamos as coisas em nosso nome, mas somos condicionados a agir em nome de uma ideologia ou de uma instituição ideologizada. Somos condicionados a nos dirigir às pessoas tratando-as como objeto e não como sujeito digno de respeito.
Às vezes pensamos que não necessitamos de Deus para vivermos bem,
humanamente falando. Eliminamos Deus do nosso meio e tentamos resolver todos os
problemas contando unicamente com nossas próprias forças, projetamos em nós ou
em algum objeto o “nosso deus” e o adoramos. Matamos o Deus verdadeiro de nossa
vida, para substituí-lo por um deus de nossa própria criação. Deste modo, nossas
esperanças não ultrapassam o real mundano dano, lutamos por tão pouco, nos preocupando apenas
com o comer e o vestir, e nos esquecemos daquilo que deveria ser fundamental em
nossa existência, que é a nossa dimensão espiritual. Eliminamos de nossa vida
toda a utopia, pensando que o esperar pelo amanhã não vale mais a pena. Muitas
vezes apostamos nossa vida em nós mesmos e quando fracassamos não temos com quem
contar.
Jesus veio para romper com os sistemas escravizantes de sua época, quis mostrar que os planos de Deus diferem muito dos planos e projetos meramente humanos. Vários séculos nos separam da passagem de Jesus pela terra, contudo sua presença continua marcando a vida de muitas pessoas. Comunidades de fé, documentos das autoridades da Igreja, estudos de teólogos, relatos de místicos nos transmitiram elementos que foram compondo, bem ou mal os traços de sua figura. Diante disso a figura de Cristo foi assumindo dois traços diferentes na vida das pessoas. Por um lado, se não nos libertamos do nosso egoísmo, do nosso individualismo, de nossa posição egocêntrica diante do mundo e dos irmãos, se não sabemos condividir aquilo que nos é dado e promover a paz e a justiça entre os homens, teremos Cristo como nosso inimigo, como estorvo para a realização de nossa felicidade, como aquele que proibe e condena tudo o que é bom para nós. Por outro lado, se buscamos fazer a vontade de Deus, promovendo a justiça entre os homens e a realização de seu Reino, tudo o mais nos será dado por acréscimo, se colocamos Cristo no centro de nossa vida, teremos a sua Pessoa como modelo a ser seguido e seu Evangelho como norma de conduta. Somente quando assumirmos essa segunda posição é que estaremos voltados para a alteridade e saberemos dar o devido valor às pessoas, respeitando as diferenças ou qualquer forma de racismo que exclui e escraviza tantas pessoas em nossa sociedade. Assumiremos então uma posição de respeito à dignidade da pessoa e estaremos prontos a lutar contra toda forma de exclusão e injustiça.
Cristo não aceita condições para o seu seguimento. Seguir a Cristo exige constante renovação de nossa profissão, exige adesão incondicional de fé e comprometimento com o próximo, especialmente com os mais necessitados. “Quem diz que ama a Deus a quem não vê e não ama seu irmão a quem vê, é mentiroso”. Não podemos seguir a dois senhores ao mesmo tempo, ou seremos servos do bem, ou seremos servos do mal. É certo que não somos seres perfeitos, mas no entanto, passíveis de perfeição, isto é, fomos criados por Deus para ser santos, para que retornemos a Ele.
Para muitos, Cristo pertence ao passado, não passa de uma lembrança mais ou menos piedosa que ficou nas dobras de alguns corações mais sensíveis e nos registros de uma fase da humanidade já ultrapassada. Mesmo tendo Cristo marcado civilizações inteiras vemos hoje pessoas que criticam sua pessoa e sua doutrina e consideram o apego a Cristo um atraso para a evolução dos tempos.
Talvez sejamos nós cristãos os responsáveis por tal visão, quando nos usamos de Cristo somente para justificar nossas próprias ideologias, nossos próprios interesses. Inúmeras vezes deturpamos a pessoa de Cristo, aplicando a Ele nossos próprios conceitos.
Diante de Cristo não pode haver lugar para arranjos diplomáticos. Ele exige tudo de seus seguidores. É radical. Os discípulos do Senhor cultivam amizade e intimidade com o Mestre. sabem que Ele atinge a todos os homens, para além das fronteiras do mundo. Cristo é o tudo da vida dos seus. É a luz que guia, mostrando o caminho da Verdade e da Vida.
Francisco Saplak, OSBM.