
Editorial
Celebramos neste mês de agosto o mês
das
vocações. Celebrar as vocações é nada mais que celebrar a vida; ambas
são interligadas, não há como separar a vocação da vida e nem a vida da vocação.
A vida é um dom e todos somos chamados à vida e à vocação universal do
amor.
De modo especial celebram-se neste
mês, o dia dos pais, do padre, do(a) catequista, do
religioso(a). São vocações muito importantes para toda a comunidade cristã e
para o mundo em geral. E como é lindo e agradável quando cada pessoa vive
verdadeiramente com amor a sua vocação. Por isso, ser pai não é só colaborar na
geração filhos, mas é repartir com Deus a missão de criar, gerar e proteger a
vida. De maneira igual, ser sacerdote é fazer acontecer o grande banquete da
vida, o banquete do amor, e assim também ser catequista, religioso,
religiosa, é ser uma chama acesa do amor de Deus no
meio da humanidade.
Assim, todas as pessoas são chamadas
a cumprir uma missão neste mundo. A grandeza de cada vocação consiste na
intensidade do amor colocado em cada uma. Por isso, o Caminho Novo parabeniza todas as vocações e deseja a todos um feliz dias
das vocações: pai, sacerdote, catequista, religioso, religiosa, e, por meio dos
artigos deste exemplar, convida-nos a meditar sobre nossa vocação, especialmente
os jovens que estão descobrindo a sua vocação. A todos os grupos de jovens, uma
ótima e agradável leitura do Caminho Novo e um feliz mês das
vocações.
A Coordenação
Sacramento da Unção
dos Enfermos
A Unção dos Enfermos é o sacramento
que Jesus Cristo deixou à sua Igreja para que na fraqueza e na enfermidade o ser
humano possa fortificar sua vontade com “a força que vem do alto”. Através deste
sacramento, a Igreja põe a pessoa enferma nos braços de Jesus Cristo, a fim de
que possa enfrentar a situação que vive com confiança, na certeza de que o Pai
cuida do filho ou da filha necessitada.
A Unção dos Enfermos não existe para fazer o doente
morrer. Pelo contrário, existe para ajudar o enfermo a enfrentar a situação que
vive, dispondo-o a aceitar a vontade de Deus. Pois esse
sacramento significa a presença e a salvação de Deus junto ao doente e também a
solidariedade da Igreja para com ele. A Igreja quer ajudar o doente a assumir na
fé a sua fraqueza e a aceitar a vontade de Deus nessa fase difícil de sua
vida.
Os
evangelhos nos deixam claro que uma das características de Jesus era curar os
doentes. Assim a Unção dos Enfermos é um sacramento instituído por Jesus Cristo
para confortar os fiéis gravemente enfermos, por meio da unção com óleo bento e
da oração do sacerdote. Esta prática vem dos tempos antigos, no Antigo
Testamento o doente era convidado a confiar em Deus porque a Ele pertence a vida e a morte. Em geral se passava na pele e nas feridas
dos enfermos óleo de oliva (Is 1,6). Na parábola do bom
samaritano vem dito: “Pôs azeite e vinho nas feridas” (10,34). Notemos que Jesus
mostrava um carinho especial para com os doentes e curava a todos os que iam ao
seu encontro com fé. Jesus não curava em nome de terceiros e sim, em nome
próprio, dizendo: “Eu quero, sê curado” (Mt. 8,3) e transfere esse poder aos
discípulos, o poder sobre espíritos imundos, para expulsá-los e para curar todo
o tipo de enfermidade e doença (Mt. 10,1). E mais: “imporão as mãos aos
enfermos, e eles ficaram
curados” (Mc.
16,15-18).
Essa missão e esse carisma de cura e a identificação
de Cristo com os enfermos, e exortação a visitá-los “estive doente e me
visitastes” foram entendidas pelos discípulos como assistência espiritual e
ajuda material.
Por
isso, Tiago promulga este sacramento dizendo: “Alguém de vós sofre? Ore. Alguém
está feliz? Cante. Alguém está enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e eles
farão oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé
salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu
pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai os vossos pecados uns aos outros e orai
uns pelos outros para serdes curados” (Tg.
5,13-16).
A
oração e a unção são dois momentos essenciais deste sacramento e significam que
Deus age sobre toda a pessoa, sobre o corpo e sobre a alma. Também o
cristianismo defende a vida acima de tudo. Assim, os cristãos têm uma missão
importante no sentido de preparar e ajudar o doente a aceitar sua realidade,
dando-lhe os meios necessários para que possa oferecer a Deus sua fraqueza, suas
dores, seu sofrimento e sua doença, como se fosse uma prece, vivendo sua
situação em conformidade com a vontade de Deus. “Nenhum cristão deve se omitir
diante da situação de necessidade de um enfermo. Diante daquele que Cristo
comprou por alto preço” (1Cor. 6.20). Jesus assumiu o sofrimento, a dor, a cruz
e a morte que ninguém deseja, mas que faz parte da caminhada humana e, a partir
deles, fez meio de salvação para nós, porque pôs nele o amor. Quando a Igreja
administra este sacramento, não faz outra coisa senão pôr o enfermo nos braços
de Jesus para que Ele, como Pai, o carregue e o ajude a enfrentar o sofrimento e
as provações nas horas em que mais tem necessidade.
Atualmente, somente os sacerdotes têm o poder de
ministrar o sacramento da Unção dos Enfermos. Por isso, são eles que devem ser
chamados quando um doente necessita recebê-lo. Os cristãos têm o dever de chamar
o sacerdote para ministrar este sacramento ao doente. O essencial da celebração
deste sacramento consiste na unção da fronte e das mãos do doente (no rito
latino) ou de outras partes do corpo (rito oriental), unção acompanhada da
oração litúrgica do presbítero celebrante, que pede a graça especial deste
sacramento. Assim a Unção dos Enfermos é o sacramento da fé e não da magia;
significa que não é um gesto mágico, mas fruto da fé. A sagrada unção ajuda o
doente a enfrentar a doença e a entregar-se confiante nas mãos de Deus, na
esperança de que nos encontraremos com Deus na eternidade. Por isso a Unção dos
Enfermos concede ao enfermo a graça do Espírito Santo, possibilita a cura,
restabelece a comunhão com Deus e com os irmãos, restaura a força espiritual,
nos dá equilíbrio e nos traz esperança e torna Deus presente em nossa
alma.
Porém, não é só no momento da administração da Unção dos
Enfermos que os doentes devem ser visitados. Eles devem ser acompanhados com
amor pela presença constante dos cristãos. É a maneira
de tirá-los da solidão e fazê-los sentirem-se úteis para a Igreja mediante o
sofrimento. Devem saber que seu sofrimento oferecido a Deus é a melhor maneira
de ajudar na salvação de seus semelhantes. Madre Teresa de Calcutá dizia: “Eu
tenho confiança na oração. No dinheiro não penso. As pessoas que considero as
maiores colaboradoras minhas e das minhas irmãs são os doentes que oferecem as
suas dores a Deus por nós”.
Mas, para isto, precisamos ter fé. Não é fácil sem os
olhos da fé entender por que existe a enfermidade, a doença, às vezes incurável. Mais difícil ainda é aceitá-las. Às vezes
nos revoltamos diante do sofrimento, muitos se desesperam, desejam a morte, não
acreditam mais em Deus, sobretudo quando isto acontece a pessoas boas e
inocentes. Por isso, precisamos ter fé diante do mistério da dor. Crer que Deus
confia a certas pessoas a missão de sofrer, para que outros tenham força e
coragem de lutar pelo bem, para que outros tenham saúde, a fim de sustentar a
família e a comunidade.
Ao
celebrarmos a Unção dos Enfermos, queremos fazer as pessoas pensar na falta de
saúde que existe em nosso meio. Lembrar das crianças que morrem, das pessoas que
esperam angustiadas nas filas para receber atendimento médico, dos abortos que
são praticados diariamente; dos velhos abandonados, dos jovens que desejam ser médicos, porque essa profissão dá dinheiro, dos hospitais
que atendem só aqueles que tem poder aquisitivo. Enfim, da carência de saúde em
geral, da mentira que encobre os dados estatísticos que dizem respeito às
doenças dos brasileiros e de tantas outras formas de doenças físicas e
psicológicas.
Nós, cristãos, devemos dar testemunho de fé, sermos
profetas de Deus e acreditar que ao celebrarmos qualquer sacramento, Deus nos
chama à defesa e promoção da vida do homem. Todos devem dar uma resposta, como a
chuva que desce do céu para lá voltar, só depois de ter fecundado a terra. Assim
são os sacramentos, querem fecundar a vida humana, tornado os homens mais
sensíveis ao plano de Deus para a humanidade.
Para refletir:
Que
significa para você a Unção dos Enfermos?
Se
Deus não quer nosso sofrimento, por que ele acontece?
Como você promove a defesa da
vida?
(Texto elaborado com base no “Catecismo da Igreja
Católica” e nas obras “A unção dos enfermos para o povo” de Ernesto N.
Roman e “Os Sacramentos em sua vida” de José
Bortolini.)
Nelson Antonio Petriw – osbm
Ser
Pai
Mês de agosto é o mês das vocações, e nele comemoramos em especial a
vocação paternal. Este chamado para Ser Pai não acontece por acaso, mas é um dom
de Deus, uma vocação divina. Vocação, é acima de tudo,
decisão e realização pessoal, chamado interior, paixão, amor e gosto pelo que é
chamado a fazer; como diz o próprio termo: vocare, “chamar”. O chamado acontece por uma voz
interior, um eco divino para empenhar-se na vocação de Ser Pai.
Uma das necessidades do ser humano é a segurança, algo ou alguém em que
possamos se apoiar. Quando crianças, sabemos em quem
confiar, principalmente quando estamos nos braços do nosso pai, confiamos que
seus braços têm forças suficientes para nos proteger, e neles nos debruçamos. Na
nossa vida terrena, todos possuímos um pai que nos deu a vida e que nos educou
dentro de uma espiritualidade. Este pai terreno sempre nos mostra a existência
de um Pai celeste, que é superior a ele, Deus, e a Ele todos devemos obediência,
pois é o único Ser que nunca nos desampara, em quem sempre podemos confiar e
buscar apoio
quando mais precisamos.
No rosto do nosso pai sempre buscamos ver o rosto de Deus Pai; o amor, os
cuidados de Deus se manifestam todos os dias em nossa vida, mesmo nas pequenas
coisas, nos pequenos gestos realizados pelo nosso pai. É preciso ter olhos e coração
sempre abertos, para perceber e crescer em confiança e gratidão, primeiramente a
Deus Pai, por este pai que Ele nos deu para nos proteger aqui na terra. No
entanto, este Ser Pai, exige e muito, do nosso pai; para nós, ele é manifestação
da bondade, do amor que Deus tem por nós. Do amor que nosso pai tem por nós
deduzimos que da mesma forma Deus Pai nos ama.
Na Bíblia Jesus nos mostra a imagem do filho pródigo. Quando o filho
retorna arrependido aos braços do pai, diz “pai, pequei contra Deus e contra
ti”. Nesta passagem reconhecemos que temos um Pai celeste e um pai terreno.
É importante ainda recordar que nós somos pessoas felizes e realizadas quando
estamos na presença do nosso pai, pois ele nos proporciona uma alegria e
segurança incalculável, e foi movido pelo desejo dessa felicidade que o filho
pródigo resolve voltar à casa do pai.
Da mesma forma nós, nesta data tão especial que dedicamos ao nosso pai,
que é revelação de um Deus que é Pai e amor, devemos recordar os grandes
momentos da nossa vida e agradecer a ele pela vida, segurança e pelo carinho que
nos deu e nos dá, pois, afinal de contas, nós somos fruto também do seu amor a
Deus. Olhando para o nosso interior, compreendemos que o amor é a característica
maior, mais bela que um filho pode oferecer a seu pai. Assim como Cristo disse
“quem conhece a mim conhece ao Pai da mesma forma quem realmente já
provou do amor de pai, pode imaginar como é imenso o amor de Deus Pai.
Pedro Luiz Manchur, osbm
VOCAÇÃO - CAMINHO
DE TODOS
Vocação sempre indica um chamado. E quem chama sempre
deseja alguma coisa da pessoa a quem chama. Deus não age de forma diferente. Só
que Deus, ao chamar, antes de pedir, ele dá. Deus, chamando o homem, lhe dá a
vida, a existência, e, com a vida, lhe dá também a liberdade.
Deus não quer assim agir sozinho. Por isso, quando Deus
chama, ele espera uma resposta, pois está confiando ao indivíduo uma missão. O
chamado de Deus é sempre um desafio:
- Ao sermos chamados à vida, nos é confiada uma
determinada missão (vocação ): a de sermos felizes com
os outros e que assim todos possamos viver bem.
- Ao sermos chamados à fé pelo batismo, nós nos
comprometemos a seguir os ensinamentos de Jesus Cristo e a colaborar com os
homens na busca da verdade, do bem, vivendo como irmãos. É a vocação cristã.
- Ao sermos chamados a um determinado estado de vida
( sacerdotal, religiosa, matrimonial ) assumimos um
compromisso específico com a comunidade eclesial, de realizar sua missão de
ajudar os demais homens a encontrarem a felicidade. A felicidade que Deus deseja
para todos.
Para que isso aconteça, é indispensável que cada um faça
desabrochar a vocação que está em seu interior ( Mt
25,14-30 - Parábola dos talentos) e a faça desenvolver-se, fortificando-a com a
palavra de Deus e com a oração.
As capacidades e dons que temos devem estar voltados
para as necessidades dos outros. Quanto mais o homem está voltado para o outro,
mais realizado e feliz será. O verdadeiro amor é o que busca a felicidade do
outro e não a própria.
Podemos dizer, vocação é a oferta divina que exige uma
resposta e um compromisso com Deus. Nesta definição percebemos três aspectos:
- oferta ( chamado ) de Deus.
- resposta do homem.
- compromisso com Deus e com o
irmão.
A resposta do homem deve ser constantemente reassumida.
É no dia-a-dia que vai-se fazendo caminho e assumindo
os riscos do SIM dado.
Vocação é descoberta do próprio ser pessoal. Todo homem
é chamado a aperfeiçoar a bondade que existe, em germe, em seu interior, a
descobrir a sua vocação, a construir um mundo fraterno, onde haja sol e vida
para todos.
Vocação é um convite pessoal que Deus dirige a cada um.
Cada ser humano tem algo de pessoal e uma maneira pessoal de realizá-lo. Ao
descobrir sua vocação, o homem está descobrindo-se a si mesmo. Daí a necessidade
de permanecer atento a tudo, para perceber a própria vocação.
Seguir uma vocação é buscar incansavelmente uma resposta
aos próprios anseios. Todo homem é chamado a decidir-se, a assumir os valores
descobertos em si e não poupar esforços para alcançar os objetivos propostos.
COMO SE MANIFESTA UMA VOCAÇÃO?
Os fatos falam para quem os sabe ouvir. Há indivíduos
que passam ao longo da vida, não encontram motivações para viver. Isso porque
ficam surdos à voz de Deus que fala no recolhimento da oração e também nos
acontecimentos da vida. “Deus fala continuamente, muitas vezes e de muitos
modos”(Hb 1,1). É importante
saber ler e interpretar tudo aquilo que se passa ao nosso redor, para descobrir
o plano de Deus a nosso respeito. Realizar o plano de Deus é realizar a própria
felicidade.
O QUE É SEGUIR UMA VOCAÇÃO?
Seguir uma vocação é viver a vida com intensidade. É
responder aos apelos de Deus. É renovar, converter-se, ir além, superar-se
constantemente.
Seguir uma vocação é dar grandeza ao coração. É vencer
todas as resistências. É seguir o apelo divino que chama para uma missão, para
um serviço.
Ao dizer SIM, a pessoa não está livre da angústia, da
incerteza, da morte. O próprio Cristo disse “SIM” desde toda a eternidade à
vontade do Pai, e entretanto na cruz exclamou: “Meu
Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” (Mt 27,46).
Vocação é ponto de partida. Descobri-la é uma das
condições para alcançar o ponto de chegada. O importante é partir “Sai da tua
terra e vai, onde te mostrarei...” (Gn 12,1).
VOCAÇÃO É UM ESTADO DE VIDA
Todo homem é chamado a ser homem, a realizar-se fazendo
algo. Deus convoca, faz seus apelos ao homem a cada momento da vida. Vocação,
portanto, é o eco de Deus a ressoar dentro da pessoa. A vocação é sempre
realizada dentro de um determinado estado de vida. Os mais conhecidos são:
matrimônio, sacerdócio e vida religiosa.
Descobrir e assumir a vocação num determinado modo de
vida é viver, descobrir a felicidade de servir. É no seu estado de vida que a
pessoa realiza a missão insubstituível que Deus lhe confiou.
Toda vocação é o resultado comum de duas decisões livres:
- De Deus, escolhendo e chamando amorosamente o
homem.
- Do homem respondendo livremente ao apelo
divino.
A vocação vai despertando e se desenvolvendo lentamente,
silenciosamente. Na entrega diária à vontade de Deus, descobre-se a verdadeira
resposta. A decisão sempre deve ser pessoal e livre, sem interferência de
ninguém.
Metodio
Techy - Fonte:Coleção
cadernos Vocacionais
n 11 - Ed. Loyola.